Unidos embora distantes: durante pandemia, Instituto de Nanismo promove encontros virtuais semanais

Ser uma ferramenta de suporte para pessoas e famílias com nanismo. Esse era o objetivo do Momento INN, realizado semanalmente pelo Instituto Nacional de Nanismo. O projeto, que começou em 2020 ganhou força e diminuiu a distância ao longo de um ano de pandemia. Toda semana, participantes de todo o país se unem para conversar, trocar experiências e somar amor e empatia.

Gabriel Yamin, de 14 anos, mora em Goiânia e foi a inspiração para que os pais fundassem o INN. Antes disso, entretanto, eles deram início ao movimento: Somos Todos Gigantes, hoje lema do grupo. Ele explica que no Momento INN, realizado pela plataforma Zoom, não há necessariamente um assunto definido previamente, mas que há um bate papo e as experiências acabam sendo compartilhadas. “A gente vê que as pessoas se sentem acolhidas e esperam a semana inteira pra esses encontros. É muito prazeroso e essa troca é fantástica, principalmente para quem está entrando nesse mundo do nanismo”, completa Gabriel.

Antonia Maya Bosco, de 16 anos, é moradora de Atibaia, em São Paulo e tem acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo. Ela diz que conheceu o INN por meio de uma amiga da mãe. Agora, é presença assídua nos encontros semanais. “Ela me falou que existia um grupo de várias pessoas com nanismo. Neste lugar, pessoas como eu passaram pelas mesmas histórias. Agora, eu não me sinto mais sozinha”, completa.

A adolescente afirma que quando começou a participar do grupo tinha muita vergonha, mas foi vendo várias histórias de superação e passou a olhar o mundo de forma diferente. “Esse instituto é incrível e agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade e que cresçamos mais e mais e que mais pessoas saibam desse projeto lindo”, finaliza.

Troca de experiências

A fonoaudióloga Monalisa Ned diagnosticada com displasia espondilose epifisária conta que mães, crianças e até Gabriel e Antônia, que são adolescentes, esperam por este momento. “É muito bacana porque sempre tem uma novidade, uma dúvida, um assunto geral, como a pandemia. Sempre estou porque como tenho nanismo, sou adulta e tenho uma bagagem de vida cheia de histórias, é legal porque ouço e posso contar das experiências: minhas e das que vi na vida das outras pessoas”.

Monalisa recorda um dos momentos mais emocionantes pelos quais passou em casa. “Uma vez, durante um encontro, eu acabei descobrindo a primeira vez que me enxerguei com nanismo e fiquei um pouco emocionada. Gosto muito quando as crianças veem a gente porque ficam felizes, se sentem importantes. O dia do encontro é um dia delas, das famílias reunidas”, finaliza.

Crianças unidas

Viviane Scerni, de 38 anos, é engenheira Civil e mora em São Paulo. Ela é mãe dos gêmeos Lucas e Pedro, de 8 anos. Um deles, o Lucas, foi diagnosticado um tipo de nanismo muito raro denominado Displasia Acromícrica, com aproximadamente 60 casos no mundo. Ela conta que além da oportunidade de aprender assuntos diversos também gosta de incentivar a participação das crianças como uma forma de vivenciarem as diversidades. “Sempre temos histórias de gigantes que são inspiradoras. Principalmente neste ano pandêmico, o encontro é acolhedor. Não conheço ninguém pessoalmente, mas já me sinto íntima de várias pessoas”, completa. 

 

Catherine Moraes

Jornalista por formação e apaixonada pelo poder da escrita. Do tipo que acredita que a informação pode mudar o mundo, pra melhor!
Comentários

2 respostas

  1. Tenho minha Vytoria de 14anos com acodoplasia
    Gostaria de saber de grupos aqui em Guarulhos ou São Paulo (capital) para levá-la
    Penso ser extremamente importante ela saber de verdade que não está sozinha, que pode fazer praticamente tudo.
    Podem me ajudar?

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