Primeira bailarina profissional com nanismo do Brasil participa do maior festival de dança do mundo

Jéssica Muniz fez três apresentações de “Além do Universo” na 40ª edição do Festival de Dança de Joinville

Coração acelerado, pernas inquietas e na cabeça o filme de uma vida inteira de sonhos. Jéssica Muniz, bailarina, subiu por três vezes nos palcos abertos da 40ª edição do Festival de Dança de Joinville, considerado o maior do mundo pelo Guinness Book. “Lembrei de quando eu ouvia que meus pés não serviriam na sapatilha de ponta e que o balé não era pra mim. E, ao mesmo tempo, me percebi merecedora dessa conquista”, comemorou Jéssica, que nasceu com acondroplasia, o tipo mais comum de nanismo, e muitos objetivos de vida. 

O festival segue até o dia 29 de julho com apresentações de 13 mil dançarinos. No total, os artistas viajam de 25 estados, além de países como Estados Unidos, França e Paraguai para participar do evento. Entre dançarinos e visitantes, a organização espera receber mais de 230 mil pessoas nos 12 dias de festival. Além da Mostra Competitiva, que é a tradicional competição dividida em categorias, o festival conta com os palcos abertos que ficam em diversos pontos de Joinville e região e recebem coreografias inscritas e selecionadas.

Jéssica foi uma das dançarinas a subir nos palcos abertos. No domingo, dia 16/7, ela se apresentou na Feira da Sapatilha. Na terça (18/7) foi no Jardim da Dança e na quinta (20/7), no Shopping Garten. A bailarina já está com saudade. “Indo embora, mas com vontade de ficar. É tudo um grande sonho”. Ela entrou de corpo e alma nas apresentações com a coreografia “Além do Universo”, uma junção de memória, sentimento e talento. “Faz um ano que minha avó faleceu e tínhamos uma coreografia juntas chamada Girassol. Quando resolvi montar essa, eu queria sentir a presença dela de alguma forma, me protegendo e abençoando. E também porque a vida vai muito além daqui. Fomos escolhidos para estar aqui, devemos aproveitar cada minuto”, afirmou Jéssica. 

A moradora de Ananindeua (PA) e professora de dança para crianças de 4 a 12 anos espera voltar no próximo ano, mas para competir. “As disputas exigem muito treinamento e muita disciplina. Vou me esforçar pra isso. Pra chegar lá preparada e pronta pra levar medalhas para minha cidade”, disse Jéssica ao ressaltar que o festival ainda não conta com uma categoria para Pessoas com Deficiência (PCD). Atualmente, os bailarinos com deficiência disputam com todos os inscritos. “A gente se sentiria melhor abraçado e teríamos nosso esforço reconhecido”.

O Festival de Dança de Joinville conta com a ‘Mostra Dança para Todos’, que é um evento não competitivo voltado para pessoas com deficiência. De acordo com o presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville, Ely Diniz, no palco principal da competição, o que prevalece é a questão da qualidade técnico artística e que a participação de pessoas com deficiência geralmente acontece quando há um integrante com deficiência em uma coreografia de grupo, mas a inserção de uma categoria específica a esse público ainda não foi avaliada. 

Centreventos 

A estrutura do prédio que sedia as competições possui adaptações para receber pessoas com deficiência como rampas de acesso e ampliações de locais para quem vai assistir. Há também camarotes com audiodescrição. Essa necessidade de inclusão e acessibilidade veio com a mudança no cenário do ballet e da arte de forma geral. “O ballet sempre foi elitista, mas estamos percebendo a abrangência de bailarinos capacitados e de todas as condições financeiras e isso graças a muitas entidades públicas e particulares que abrem espaços. Consideramos que hoje o festival é plural, mas podemos sempre ir além”.

Kamylla Rodrigues

Kamylla Rodrigues é formada em Jornalismo pela Faculdade Alves Faria (ALFA). Já trabalhou em redações como Diário da Manhã e O Hoje, em assessorias de imprensa, sendo uma delas do governador de Goiás, além de telejornais como Band e Record, onde exerce o cargo de repórter atualmente.
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