8.500 km de carro para participar do encontro pela primeira vez 

Conheça a história de Gabriela Lopes, que saiu de Santa Catarina e foi para Maceió dirigindo 

Aos 40 anos de idade e um tipo de nanismo ainda não diagnosticado, Gabriela Pereira Lopes fez história em 2023 ao percorrer exatos 8.574 km para participar pela primeira vez de um encontro promovido pelo Instituto Nacional de Nanismo (INN). Natural de  Jacinto Machado, em Santa Catarina, ela decidiu ir de carro, dirigindo, para Maceió, onde foi realizado o 6º Encontro do INN no último mês de outubro. Acompanhada da mãe, ela também aproveitou o caminho para fazer a primeira pausa no 1º Encontro Regional no INN em São Paulo, realizado uma semana antes. 

Filha de Izabel Pereira Lopes e Lênio Leônidas Lopes Filho, Gabriela tem dois irmãos: Demian e Manuela. Ela conta que nasceu em Jacinto Machado (SC) e que morou sempre na cidade, mas que dos 2 anos e meio até os 5 anos ficava vários meses em Caxias do Sul (RS) para fazer fisioterapia. “Eu não tinha cartilagens e meus músculos eram frágeis”, recorda. Na família, tinha duas primas da mãe com nanismo: as irmãs Marlene e Lelei. 

Marlene já é falecida e Lelei é jornalista e mora em Porto Alegre. Na minha cidade eu era a única pessoa com nanismo e o único contato que tinha com pessoas com nanismo era com essas minhas duas primas, que eu pouco às via! Na faculdade tinha também, não no mesmo curso, uma pessoa com nanismo, mas como eu era muito tímida nunca nos comunicamos”, completa. 

Atualmente, Gabriela trabalha como escrevente no Tabelionato de Notas da cidade de Turvo, em Santa Catarina. Ela conta que em 2022, aos 39 anos, começou a fazer terapias e tratamentos para depressão, pois se sentia muito sozinha e isolada. Foi aí que começou a ter interesse por conhecer mais sobre o nanismo e se aproximar de pessoas com a condição. Pesquisando nas redes sociais, encontrou o Instituto Nacional de Nanismo (INN) e viu que estava sendo realizado o 5º encontro, justamente em Santa Catarina, mas o evento já tinha começado e ela nem pensou em participar. 

“A partir daí comecei a me interessar ainda mais pelo nanismo! Em fevereiro era pra eu pegar minhas férias, foi aí que conversei com meu chefe e pedi pra eu pegar férias em outubro pra poder ir no encontro do nanismo! Ele topou! A partir daí comecei a organizar. Já sabia que ia ser em outubro, só não sabia o dia. Quando lançaram o dia  do encontro comecei a pesquisar passagens aéreas e hospedagens. Quando falei pra minha mãe que eu ia viajar nas férias pra Maceió e pro encontro do nanismo ela também foi deslumbrada pra ir junto! Pesquisei passagens aéreas e hospedagens para nós duas e comecei a notar que se eu fosse de carro ou avião, os gastos seriam quase os mesmos para nós duas. Foi então que disse pra mãe: ‘eu amo dirigir, nossos gastos não vão ser muito maiores se formos de carro, e de carro vamos aproveitar mais a viagem e conhecer mais lugares, e depois com a idade que estou ainda tenho condições de dirigir, pode ser que mais daqui uns anos eu não consiga nem dirigir!’”, conta. 

Izabel tentou convencer a filha para que elas fossem de avião, mas Gabriela ganhou na disputa e a mãe aceitou a viagem. Ela conta que fez revisão do carro, pneus e tomou todos os cuidados para que a viagem fosse segura. Pelo Instagram, ela viu que o 1º Encontro Regional de São Paulo ia acontecer durante a Reatech e se programou para passar por lá. “Como tinha que chegar em Maceió até no dia do encontro do nanismo, a viagem de ida foi bem rápida, porém conseguimos passar em alguns parentes e amigos, mas apenas dormimos uma noite em cada casa.”

A motorista se saiu super bem, uma viagem segura e um baú de memórias. Agora, ela faz parte da família INN! Já fiz uma viagem de carro até Salvador! Mas daquela vez tinha uma amiga pra dividir a direção e dessa vez só eu dirigi, pois a mãe não gosta de dirigir carro manual! O encontro do nanismo foi um divisor na minha vida! Foi uma experiência inesquecível! Ter contato com outras pessoas com nanismo e falar das nossas vivências e dificuldades foi um fortalecimento em minha vida. Saí de lá renovada e fortalecida E o mais importante, saí de lá com mais uma família! Fiz grandes amizades!”, se emociona. 

Depois do encontro, mãe e filha aproveitaram para uma volta mais tranquila. Deram uma esticada até Pernambuco, em Arcoverde, para visitar um primo, e de lá visitaram uma grande parte do litoral: Praia da Boa Viagem, Porto de Galinhas, Maceió novamente, Arembepe (Camaçari-BA), Salvador, Porto Seguro. Em Arembepe, que já estava no roteiro, a meta era ficar três dias na casa de familiares. 

Em 2024, como é que fica? Gabriela e Izabel já estão se programando para participar, novamente, do encontro. A data do 7º Encontro do Instituto Nacional de Nanismo está definida: 15 a 17 de novembro, em São Paulo. 

O encontro

O encontro anual é realizado pelo INN e engloba os movimentos Somos Todos Gigantes, que cuida de famílias de crianças e adolescentes com nanismo, e Nanismo Brasil, voltado para adultos com nanismo. A apresentação foi da BioMarin e, em 2023, mais de 200 pessoas participaram do encontro realizado em Maceió (AL) entre os dias 12 e 14 de outubro.

Para conhecer a história da Lelei, jornalista com nanismo e prima da Gabriela, clique aqui!

Catherine Moraes

Jornalista por formação e apaixonada pelo poder da escrita. Do tipo que acredita que a informação pode mudar o mundo, pra melhor!
Comentários

5 respostas

  1. Sempre fui fascinada por minhas primas, que não cresciam nunca e quando me deu conta estava maior, aí parti pra outro tipo de admiração, por não desistirem por nada, claro que nunca soube das dificuldades, com o tempo ficavam mais louváveis. Nanismo não é um obstáculo e sim uma condição, abraço atodos

  2. Ótima matéria, tive o prazer de conhecer a Gabi aqui em minha cidade, Maceió, eu mesmo que sou motorista de profissão, não tenho essa garra de pegar a estrada como ela fez, é uma guerreira.

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