Vida do Gigante Miguel

Maria José

Maria José, mãe deste guerreiro, conta sua trajetória de luta contra um diagnóstico considerado incompatível com a vida

Miguel. Esse foi o nome escolhido por seu irmão mais velho, de 17 anos. Ele justificou ser o mais guerreiro. Não podia ter nome melhor. Uma gravidez normal até os quatro meses. Descobrimos a Acondoplasia e até então sofri, pois pensei logo que meu filho sofreria, tamanha minha ignorância na época.

 

Partimos para as descobertas do desconhecido. Tínhamos muitas perguntas sem resposta porque muitos médicos que procurei pareciam tão perdidos como nós, os pais. Cada vez que passávamos por um médico, parecia que diminuía mais as chances de meu filho nascer.

 

Veio então um diagnóstico incompatível com a vida. A partir daquele dia perdi minha fé.

 

Foi sugerido aborto por um dos médicos que me acompanharam. Era uma decisão que estava além de mim. A vida e a morte não cabem a mim. Via um coração batendo, uma vidinha dentro de mim. Como faria isso? Como eu iria dormir sabendo o que tinha feito? Não, não!

 

Diagnóstico: Acondoplasia Esquéletica Letal. Nanismo Tanatoforico. Carreguei  por muito tempo o peso desse diagnóstico. Fui convencida que ele morreria na minha barriga ou ao nascer porque o pulmão não desenvolveu.

 

Era para o Miguel nascer antes do Natal, mas como os médicos me disseram que ele não teria nenhuma chance, aguentei até quanto pude pois queria ele um pouco mais comigo.

 

Miguel nasceu dia 27 de dezembro, foi entubado na sala de parto e encaminhado direto para a UTI. A coisa mais triste para uma mãe é ter alta e deixar o filho no hospital. Nos primeiros dias, visitava e vinha embora. Os médicos só diziam coisas negativas. Parece que quem morria todo dia um pouquinho era eu.

 

Depois de vivenciar tantas coisas em uma UTI e vendo meu filho lá esperando o Senhor do tempo, foi ali a primeira lição que meu filho me ensinou. Se ele, tão pequenino, com 37 centímetros, dois quilos e quinhentos gramas, está lutando pela a vida, porque eu, que não tinha nada, estava desesperada?

 

Foto de Divulgação

Mãe

Mãe e Miguel

 

Mudei. Ali! Comecei a ficar com ele na UTI, a viver um dia por vez. Peguei ele no colo só quando já tinha três meses. Fez traqueostomia e desenvolveu várias coisa no decorrer de UTI. Teve um choque, infecção generalizada… Uma médica disse que estava na hora de parar de brincar de Deus. Todos esperavam  o fim. E lá vinha o Miguel, desde então se recuperando devagar, e lá venho eu, acreditando.

 

Comemoramos o mês. Decidi que se todos estavam convencidos do fim, eu não estava convencida de nada mais. Queria levar meu filho para casa. Hospital não é lugar para criança, mesmo com tantas restrições como meu filho. Lutei como nunca pensei que faria. Busquei informações sobre tudo. Ouvi tantos nãos…

 

Não entendia como eu, mãe, não tinha o direito de levar meu filho pra casa. Diziam que não tinha estrutura, não tinha aparelhos, que se eu levasse para casa estava apressando  a morte dele.

 

Briguei  com o mundo, mas trouxe meu filho para casa. Só queria dar colo, ouvir música, sentir as coisas com ele. Queria que ele tivesse como todas as crianças, com os pais no lar.

 

Foto de Divulgação

Miguel

Miguel hoje, aos 3 anos e 6 meses

 

Primeiro aninho foi em casa depois de nove meses de UTI. Teve um sabor que não sei descrever! Minha família junta.

 

Meu milagre ali: meu Miguel desfrutando de tudo que ele tem direito. Minha fé estava restaurada. Embora, a luta continuasse a cada dia tínhamos mais fôlego, pois depois que o Miguel  chegou em casa, só evolui.

 

Meu filho me ensinou a não desistir, e principalmente a acreditar nele. Hoje, busco qualidade de vida. Nem acredito no que passei com minha família. Cada sorriso faz valer a pena.

 

Porque dá certo! Quando acreditamos e decidimos ir em frente, não há nada que segure. Tudo é em torno dele. Nos adequamos.

  

Foto de Divulgação

Miguel

Mãe Maria José de Oliveira, 38; pai Vicente Ferreira de Oliveira, 48; irmão Everton rozalino de Oliveira, 20 e o gigante Miguel comemorando 1 aninho

 

 

Hoje, Miguel ainda depende  de muitos cuidados. Mas tentamos sempre viver da melhor  maneira possível.

 

Agradeço por tê-lo conosco todos os dias. Nosso milagre vivo. Obrigada por não desistir e obrigada por me fazer acreditar.

 

Foto de Divulgação

Lição

Lição de vida de Miguel: nunca se pode desistir

 


 

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Rafaela Toledo

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