Vida da Gigante Andréia

Ela fala sobre as dificuldade da vida adulta para quem tem nanismo e como o amor e a amizade ajudaram a superar sua timidez e o preconceito

Ela fala sobre as dificuldade da vida adulta para quem tem nanismo e como o amor e a amizade ajudaram a superar sua timidez e o preconceito

Meu nome é Andréia Rafael de Amorim. Tenho 39 anos e sou de Salvador. Altura: 1,25 m. Sempre fui uma pessoa extremamente tímida e acredito que sou assim devido à minha estatura. Devido ao fato de chamar tanta atenção. Sempre odiei ser o centro das atenções.

 

Minha infância não foi tão difícil. Eu, na verdade, não tinha muito ideia da minha deficiência. Mas me incomodava as outras crianças rindo de mim. Na escola era muito comum acontecer isso. Principalmente quando meus pais mudavam a mim e meus irmãos de escola. E isso era muito comum também.

 

Pelo menos de dois em dois anos estávamos em escola diferente. Eu não gostava. Pois quando os colegas já estavam acostumados comigo, já não me abusavam mais, eu tinha que passar por aquilo tudo de novo. Acho que até hoje tenho uma resistência à mudança. Talvez devido a isso.

 

Na adolescência já foi mais difícil. Foi quando fui me dando conta de que eu era diferente, me senti por muitas vezes deprimida. Os garotos não me paqueravam. Saía muito pra festas, carnavais e micaretas. Minha irmã e primas já estavam paquerando. Os rapazes não se aproximavam de mim. Muitas pessoas nas festas viviam rindo de mim. Eu fingia que não via. Mas aquilo me fazia muito mal.

 

Foto de Divulgação

Andréia

Andréia com a mamãe

 

Na escola, quando tinha que apresentar aqueles trabalhos, para mim era o fim! Fiz vestibular, mas nunca me interessei em cursar de fato. Fazia porque era cobrada por isso. Cultural. Terminando o segundo grau, tem que entrar na faculdade… Mas nunca quis e não cursei. Tudo por causa dessa timidez.

 

Quando minha irmã se casou, me senti só. Pois ela era minha parceira. Quando eu saía sozinha, me sentia um peixe fora d’água. Foi quando, aos poucos, comecei a me isolar e me sentia bastante deprimida. Passava algumas fases assim. Depois melhorava.

 

Foto de Divulgação

Andréia

Andréia com a mãe Regina, o irmão Anderson e a irmã Adriana

 

Comecei trabalhar aos 24 anos, pois era muito difícil conseguir um emprego devido a minha estatura. Foi então que me aconselharam procurar a ABADEF, um órgão que encaminha os deficientes para o mercado de trabalho. Aos 30 anos fiz um concurso REDA. Corri atrás de um relatório médico e concorri à vaga PCD.

 

Hoje estou efetiva numa outra empresa pública. Concurso também, como PCD, graças à lei de cotas. Mas ainda assim, para conseguir um relatório não é tão fácil assim. Pois questionam a respeito da deficiência.  

 

Foto de Divulgação

Andréia

Andréia em sua viagem a Buenos Aires

 

Aos 33 anos resolvi entrar nas redes sociais. Nessa época era Orkut ainda. Adicionei alguns pequenos dessas comunidades de anões para fazer amizades. Até então nunca tinha tido contato com nenhum.

 

Com alguns meses encontrei meu ex esposo. Quando marcamos o nosso primeiro encontro, eu imaginei que ia ter muita vergonha de ser vista com ele. Mas me surpreendi! Me senti bem à vontade. Foi a partir daí que minha vida mudou.

 

Foto de Divulgação

Andréia

Andréia em sua primeira viagem sozinha, a Gramado

 

Saíamos juntos. Os olhares das pessoas já não me incomodava tanto. Resolvemos morar juntos. Com ele conheci outros pequenos. E me sentia no meu mundo quando estava com eles.

 

Até que cada um foi seguindo sua vida. Alguns casaram. E hoje nos vemos muito pouco. Eu e meu ex esposo ficamos juntos 7 anos. E durante esses anos aprendi me aceitar mais. Hoje sou outra pessoa. Ainda muito tímida. Rsrsrs….

 

Foto de Divulgação

Andréia

Andréia com o ex marido, Weider

 


Apesar de lutar contra um quadro depressivo resultado do preconceito, Andreia não desiste de si mesma. Já foi a quatro encontros de gigantes em São Paulo, mês que vem vai conhecer o Rio, e as fotos mostram que se entregar à tristeza não é o forte dela. Contra as recaídas, ela trabalha, viaja, interage com os amigos gigantes nas redes mas sabe que a melhor arma contra o preconceito é o amor que começa na autoaceitação.

 

Gostou da história? Quer participar? A próxima semana é a última chance de você nos encantar com sua história. Não deixe de somar sua visão aos nossos olhos. Ver o mundo pelo seu ângulo pode alterar para sempre o curso de uma ou várias vidas.

 

Não quer falar de você ou sua família? Não tem problema. Encontre a melhor maneira de participar. Todo conteúdo produzido no Somos Todos Gigantes só começa aqui. O trabalho real é mais realizado por cada um de vocês, multiplicadores da mensagem e do sentimento de união que plantamos aqui.

 

Você pode comentar, dizer o que achou desta campanha, dar sugestão para novos quadros, dividir dúvidas que podem ser de outras pessoas, contatar nossos gigantes que compartilharam suas histórias para agradecer ou fazer amizade… Encontre seu caminho para ajudar na sua medida. O importante é dar as mãos. Fechando essa corrente, em qualquer elo do processo você é essencial.

 

Ser mais do que vencedor é o que todos queremos mas o que muitos não sabem é que isso só é possível quando a gente perde e se alegra mesmo assim… vencer já não é o que nos faz feliz porque existir é motivo suficiente para isso. Abraçamos a adversidade com resignação e respeito por cada etapa que nos torna merecedores da maior das dádivas: a vida.

Rafaela Toledo

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

A conexão de mãe que abraçou centenas de outras mães

Neste Dia das Mães, contamos histórias de mulheres que são fio condutor na luta por proteção e direitos dos filhos com nanismo “Não consigo me imaginar não sendo mãe. A gente se doa, se dedica pra vê-los se tornando homens maravilhosos”: Francielle Ferreira Ribeiro “Ser

A conexão de mãe que abraçou centenas de outras mães

Neste Dia das Mães, contamos histórias de mulheres que são fio condutor na luta por proteção e direitos dos filhos com nanismo “Não consigo me imaginar não sendo mãe. A gente se doa, se dedica pra vê-los se tornando homens maravilhosos”: Francielle Ferreira Ribeiro “Ser