Moda Inclusiva é possível para a indústria

Ela fala e prova. A jovem Priscila Cremasco Pimenta, 32, designer de moda pela faculdade Senai Cetiqt, assinou o desfile dos Gigantes no 2º Congresso de Nanismo que aconteceu no último mês de outubro, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ela apresentou uma mini coleção com cinco looks e quebrou um tabu: o de que é impossível para a indústria produzir, em larga escala, roupas para quem tem Nanismo.

(Quem segue @LookLittle no Instagram também sabe que é possível arrasar com roupas comuns e estilo próprio. Por isso convidamos a querida modelo Rebeca Costa, estrela do perfil, para ilustrar nossa matéria com dicas especiais e maravilhosas para as festas de final de ano e compartilhar conosco um pouco de seu brilho. Ela topou!)  

Desbravando a Moda Clichê

Priscila conta que sua paixão por Moda Inclusiva vem da faculdade, quando recebeu apoio e estímulo da professora, Vânia Polli, para desenvolver seu projeto fora do ciclo convencional da Moda.

“Na verdade, foi uma pesquisa durante um ano, um ano e meio, em que eu fui ver se era possível criar adaptações para quem tem nanismo, porque eu vi que existia uma deficiência na moda e eu sempre me interessei por este tema. Não acredito nessa moda tão ditadora. Nunca me enquadrei. Comecei a pesquisar sobre modelagem, as dificuldades que eles tinham no trabalho de designer mesmo, sabe? Para depois eu criar as adaptações para pessoas com Nanismo”, conta a estilista sobre sua trajetória.

Roupa para todos

Priscila Pimenta explica que o mais interessante sobre seu projeto é que a coleção não é só para quem tem baixa estatura. “É uma coleção de inclusão”, classifica a autora. “Quando eu fiz a coleção, pensei em vender nas Magazines, C&A, Renner. A roupa dá tanto para pessoas de estatura média como de baixa estatura. Fiz adaptações, usei a tabela industrial tipo 36, 40, 42 e a partir daí comecei a fazer as adaptações para quem tem Nanismo”, explica a designer sobre seu processo criativo.

Foto: Robert Carraco
Foto: Robert Carraco
Estampas extrovertidas também combinam com verão. Aproveite a dica.

Com este tipo de estratégia de modelagem, ela consegue um produto que não atende apenas o público com nanismo e sai do gargalo da indústria para a produção em larga escala de roupas adequadas para quem tem baixa estatura. As roupas são versáteis quanto aos formatos de corpos que vestem!

Mas não foi fácil conseguir colocar seu plano em prática. Priscila conta que enfrentou resistência no mundo da Moda e foi preciso encontrar pessoas e marcas sensíveis para concretizar sua coleção.

Neste percurso ela contou com o intermédio de Kênia (Rio, presidente da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro – ANAERJ) e com Silvana Louro, proprietária da Equal Moda, uma marca carioca de roupas inclusiva, além da parceria imprescindível com a marca Grace, que disponibilizou a equipe por três dias para entender todo o processo de modelagem do projeto.

Foto: Robert Carraco
Foto: Robert Carraco
Viviane, nosso destaque do samba, esbanjando sensualidade no desfile assinado por Priscila.

“O percurso foi muito importante para mim porque é muito difícil você conseguir produzir no Brasil este tipo de Moda. Não fui apoiada por ninguém da Moda. O que eu achei maravilhoso é que as meninas da ANAERJ foram super solícitas comigo. Fui na casa delas. Entrei no guarda roupas delas. Elas me explicaram todas as deficiências que tinham para conseguir comprar uma roupa e fazer com que as roupas se encaixassem. O Congresso foi o fechamento de um ciclo. Pudemos mostrar para as pessoas que é possível, sim, pensar em uma Moda Inclusiva, uma Moda Consciente. Como foi bom poder falar para as pessoas no Congresso. A partir daquele momento eu vi que tudo o que eu tinha construído durante este ano e meio valeu a pena porque fui muito abraçada por todos. Muito”, conta a designer, acrescentando que já recebeu muitos pedidos e que a expectativa para 2018 é mostrar seu projeto para o mundo da moda.

Foto: Robert Carraco
Foto de Robert Carraco
Tecidos leves marcaram esta coleção de Pimenta, voltada para o verão.

Dicas para um final de ano com estilo, por Priscila Pimenta:

  1. Contraste: Peças de cima claras e de baixo escuras
  2. Calça com cintura alta e boca larga: ideal para disfarçar quadris largos 
  3. Use tecidos leves no verão: pode parecer óbvio, mas para quem tem nanismo, os tecidos leves ( e elásticos) costumam ser uma melhor opção por sua versatilidade e fácil adaptação.
  4. Use tecidos leves no verão: pode parecer óbvio, mas para quem tem nanismo, os tecidos leves ( e elásticos) costumam ser uma melhor opção por sua versatilidade e fácil adaptação.
  5. Para o Reveillon: a dica para esta virada de ano são os vestidos e macacões.

Dicas especial e essencial de Rebeca Costa, @LookLitlle:

“Como sempre digo: invente, tente!! Abuse de quem você é, pois você pode usar e ser o que você é! O estilo é você quem faz com sua criatividade. Use sua essência que é o que tem mais de bonito e BRILHE”!

Foto: @felipecostabarroso
Foto: @felipecostabarroso
“O macaquinho é uma peça certeira pro ano novo principalmente devido à estação: verão. Ele une conforto e estilo. Se for em ambiente a aberto, os modelos mais soltinhos são ótimos. Em festas de fins de anos fechadas, os justinhos é estruturados, como renda por exemplo são super chics”, concorda Rebeca com a sugestão de Pimenta.
Foto: @felipecostabarroso
Foto: @felipecostabarroso
“Para um look mais formal, utilizo a saia de bandage listradinha ou de cor preferida, branca pro ano novo por exemplo, de altura próximo ao joelho para ser discreto e elegante. O cropped na altura do umbigo de manguinha sobressai os braços, alongando-os e afinando a cintura”, diz Rebeca @Look Little.
Foto de Divulgação
Foto de Divulgação
Short alto é uma peça chave para quem vai passar perto da praia.. e o seu par perfeito é o queridinho do verão: o cropped. É estiloso, acintura o corpo e serve para qualquer ocasião.

Não deixe de compartilhar. Seu estilo. Seu jeito de ser. Sua essência. (ah… e o post também! ;))

Rafaela Toledo

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