Médicos orientam sobre o bullying

Dr. Fábio já esteve nas telas do STG.

Esta semana na série de reportagens “Como ensinar seus filhos a resistirem ao bullying”, dois médicos foram entrevistados pela reportagem do portal #STG

 Fábio Pessoa, entrevistado desta edição da série “Como criar filhos para resisitirem ao bullying”

 

Dr. Fabio Borges Pessoa é pediatra, especialista em neuropsiquiatria da infância e adolescência, co-fundador do site www.infanciaecomportamento.com.br, canal de informações sobre desenvolvimento e comportamento infantil, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e Áreas Afins (ABENEPI). Ele concordou em responder as perguntas do Somos Todos Gigantes, assim como a Drª Melissa Ribeiro Nunes Duarte, diretora técnica da Prime Psiquiatria e psiquiatra pós-graduada em perícia médica.

 

Foto: Manual da Mamãe

Psiquiatra

Melissa Ribeiro N. Duarte fala sobre a ótica da psiquiatria

 

Ambos foram expostos aos mesmos questionamentos sobre os desdobramentos do bullying, sua relação com transtornos emocionais e com o comprometimento da qualidade de vida dos gigantes. 

 

Ele mais detalhista e ela mais objetiva, cada um contribuiu de maneira singular para a pesquisa realizada pela série de reportagens promovida pelo #STG sobre como criar filhos resistentes ao bullying. Acompanhe as entrevistas e veja o que os especialistas têm a dizer:

#STG – Os senhores acham que o aumento de transtornos mentais diagnosticados na infância tem alguma ligação com o bullying?

 

Dr. Fábio: De fato, devido a um maior interesse pelo estudo dos transtornos psiquiátricos e suas repercussões ao longo da vida, mais diagnósticos têm sido elaborados nos últimos anos. E elaborados de maneira criteriosa.

 

Não se trata, absolutamente, de uma explosão de diagnóstico de maneira oportunista ou sem embasamento técnico, mas, sim, devido a uma mudança no olhar da Sociedade Médica em relação ao desenvolvimento e ao comportamento das crianças.

 

Mas, cientificamente, não é possível estabelecer uma relação linear entre o bullying e a maior prevalência desses transtornos.

 

Há fatores genéticos envolvidos, além de muitos outros fatores ambientais que influenciam ou definem o surgimento desses transtornos.

 

Drª Melissa: Não há correlação entre bullying e o aumento dos transtornos emocionais. Não encontrei essa relação na literatura médica.

#STG – A internet aumentou a incidência do bullying e de transtornos emocionais relacionados a ele? 

 

Dr. Fábio: A internet tem o poder de tornar a dimensão do bullying incontrolável. A velocidade com que a informação é repassada de pessoa a pessoa é inimaginável para muitos e, mesmo retirado o material difamatório ou humilhante por parte do primeiro agressor, muitas vezes não se pode controlar a onda que se espalha e muito menos os estragos por ela causados.

 

Quadros de depressão e de ansiedade muitas vezes têm a agressão via internet associada ao início dos sintomas ou à piora dos mesmos em crianças e adolescentes previamente diagnosticados.

 

E, tragicamente, suicídios (que são a segunda causa de morte entre adolescentes em vários países ocidentais) tem sido motivados pelo chamado cyberbullying (nomenclatura dada ao bullying que ocorre no mundo virtual).

 

Drª Melissa: As redes sociais são veículos, sem dúvida, de maior exposição dos indivíduos na atualidade. Aumentando a exposição, frequentemente aumenta-se a predisposição a práticas de bullying.

 

#STG – O fato de aceitarmos antigamente esse tipo de comportamento como normal entre crianças ou adolescentes os fazia mais fortes e resistentes? 

 

Dr. Fábio: Penso que esse comportamento nunca foi normal. Falo da definição do bullying enquanto uma forma de violência cruel, que destroi a estrutura psíquica da criança, causando dor e sofrimento, sem que haja qualquer motivo para tal e que ocorre de forma repetitiva, sem piedade, sem que a vítima, em condição de fragilidade, possa se defender. Isso não é e nunca foi normal! 

 

Brincadeiras de infância, como colocar apelidos ou criticar um colega, de fato sempre existiram. Um falava daqui, outro retrucava dali, um outro às vezes se irritava, mas nada saía do controle. A questão é a dimensão que tudo isso tem tomado. O agressor não se cansa, usa de meios bárbaros e impiedosos para causar mal a outra pessoa, sem o menor arrependimento, sem a percepção de que é chegado o momento de cessar a agressão.

 

A violência ganha proporções assustadoras e bate às nossas portas e o bullying é uma face desumana dessa violência.

 

Drª Melissa: O bullying é considerado um estressor social crônico que pode ocasionar diversos problemas para a vida do indivíduo, como depressão, ansiedade, estresse e baixa autoestima.

 

Esses efeitos decorrentes da violência direta ou indireta entre pares na infância trazem, muitas vezes, consequências para a vida adulta da pessoa que foi uma vítima crônica de bullying.

 

#STG – A ampla discussão sobre o bullying  está fragilizando excessivamente as crianças e jovens de hoje?

 

Dr. Fábio: Não entendo dessa forma. Há necessidade de se orientar sobre o problema, mas sem que toda e qualquer desavença seja caracterizada como sendo a prática de um bullying. Em pesquisa realizada pelo IBGE no ano de 2015, 7,4% dos alunos, na maior parte do tempo, se sentiram humilhados e ameaçados e 2 em cada 10 alunos assumiram que já praticaram bullying.

 

Não há como não falar sobre isso nas escolas e nos lares. Porém, é preciso ensinar nossas crianças a lidar com as dificuldades inerentes de cada etapa do seu desenvolvimento. Aquela criança que leva o problema para a casa e escuta do pai ou da mãe “Não se preocupe, amanhã eu resolvo isso!” provavelmente vai ter maiores contratempos ao lidar com situações inesperadas ou que contrariem suas expectativas.

 

É preciso fazer a criança pensar em relação àquilo que a incomoda e auxiliá-la na tomada de decisão, fazendo com que o problema e a solução tenham as corretas proporções em seu aprendizado.

 

Drª Melissa: É preciso ter bastante cuidado para que isto não ocorra!

 

#STG – Quem tem nanismo tem indicação de acompanhamento psiquiátrico necessariamente?

 

Dr. Fábio: Não compreendo que necessariamente haja necessidade de acompanhamento psiquiátrico para os indivíduos com nanismo.

 

Penso que as características que os tornam diferentes podem ser muito bem trabalhadas, ao seu tempo, pela família e pela escola e não obrigatoriamente definirem um prognóstico ruim do ponto de vista psiquiátrico.

 

Mas há que se ter um olhar mais cuidadoso, sem que seja excessivamente protecionista durante o desenvolvimento da criança com nanismo.

 

Uma sociedade melhor informada pode contribuir para um desenvolvimento psíquico com menos atribulações.

 

Drª Melissa: Não. Se o sentimento de exclusão ocorrer é necessário o acompanhamento psicológico previamente.

 

#STG – Como os pais devem enfrentar aquele tipo de bullying velado, que acontece dentro das próprias rodas sociais deles, como família, escola, etc?

 

Dr. Fábio: É muito comum a vítima não expor a sua situação nem mesmo para os seus pais. Assim, os pais devem estar atentos quanto à suspeita de que sua criança possa estar sendo vítima de bullying.

 

Mudanças de comportamento, como isolamento ou retração social, irritabilidade ou agressividade, mudanças no padrão do comportamento alimentar ou do sono, queda do rendimento escolar podem ser sinais de que a criança esteja sofrendo bullying.

 

Percebe-se, então, que a criança passa a apresentar algum tipo de prejuízo, seja ele acadêmico, social ou familiar.

 

A dica para os pais é basicamente: olhem para os seus filhos, conversem com eles, ouça o que eles têm a dizer e valorizem suas queixas.

 

Não deixem que o pior aconteça!

 

Drª Melissa: A psicoeducação é fundamental para lidar com o problema. 

 

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Rafaela Toledo

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