Fisioterapeuta Malu Vilela no 3º Congresso de Nanismo

Após 7 anos trabalhando com fisioterapia, ela entendeu que só conseguiria os resultados almejados se aplicasse técnicas aquáticas. Hoje, com 25 anos de carreira e especialização realizada na Suíça sobre os métodos mais avançados de hidroterapia, pelo menos 90% de seus atendimentos são feitos dentro da piscina.

As alterações neurológicas, musculoesqueléticas, reumatológicas, tanto em pediatria, quanto em fase adulta e geriatria, conforme a resposta esperada por Malu, ocorreram com a aplicação das técnicas de terapia aquática. “Comecei a fazer os exercícios sem comprovação científica mas sabendo que na água eu ia conseguir uma mobilidade maior. Não só com relação à parte física, mas também psicológica dos pacientes, porque, além de ser um meio lúdico, a imersão na água promove mais estímulos. Com isso, para as atividades funcionais o desempenho é maior”, explica a especialista sobre o início dos seus trabalhos com hidroterapia na época em que era um trabalho de vanguarda no Brasil.

Na água, as atividades podem ser realizadas de forma mais precoce após um pós-operatório, por exemplo, com mais controle postural do que em solo, conforme foi realizado com Gabriel, nosso Youtuber. Leia agora um resumo dinâmico do conteúdo da palestra de Malu e ao final, assista o painel completo em nosso canal do Youtube.

Palestra Malu Vilela (10/11)

Dentre os métodos de terapia aquática, ela destacou os mais importantes para aplicação em casos de baixa estatura.

Halliwick

Abordagem da fisioterapia aquática desenvolvida por um engenheiro da mecânica dos fluídos. O canadense trabalhou numa escola para deficientes em Londres, com o objetivo de ensinar o nado. Porém, com algumas respostas do sistema motor, começou a perceber que algumas crianças estavam desenvolvendo maior controle de cabeça – aquelas que tinham alguma hipotonia – e mais controle de tronco. Ele notou que a atividade desenvolvia mais estabilidade para movimentos com os membros inferiores, como ficar em pé e andar; e com membros superiores, como atividades de alcance também.

“Observou também que antes de tudo o criança deveria ter um bom controle respiratório, e consequente melhor controle de cabeça e tronco resultando em melhor domínio dos movimentos”, explica.

Foto: Matheus Alves/Fasam
Foto: Matheus Alves/Fasam
Plateia do segundo dia de Congresso em Goiânia.

A técnica melhora, portanto, o equilíbrio e estabilidade, pontos fundamentais para desempenhar bem os movimento. Com o que é chamado de relaxamento ativo são exercitados movimentos mais elegantes e fluentes, ou seja, com bom controle postural, domínio de movimentos e boa adaptação em meio aquático.

O controle respiratório de cabeça e tronco devem ser considerados simultaneamente e a atividade muscular muito intensa ao redor do tronco é base para realizar atividades funcionais.

Todos estes aspectos podem ser trabalhados com a utilização deste método onde o único instrumento é a mão do(a) terapeuta, que deve estar preparado(a) para oferecer o suporte físico adequado para desafiar o(a) paciente a realizar os movimentos, sem deixar que ele(a) se sinta inseguro(a).

A terapeuta observou que este tipo de técnica também considera exercícios em grupo que podem estimular a vontade do movimento e conseguir um comprometimento físico maior por parte do paciente.

Método dos Anéis de Bad Ragaz

Desenvolvido há cerca de 50 anos, esta outra estratégia de terapia aquática utiliza flutuadores. Seu principal objetivo é trabalhar com padrões de movimento, fortalecendo e ampliando suas possibilidades. “Trabalha com grupos musculares maiores e com irradiação de movimento”, explica a especialista sobre exercícios que são feitos em determinada área do corpo mas geram benefício para outras, a partir da irradiação do movimento.

“Consigo até grau 5 de fortalecimento porque somada à resistência manual do terapeuta, tem a resistência da água. Quando o corpo se move, o fluxo turbulento ajuda no aumento da resistência e com isso, dá força muscular”, exemplifica.

Malu fala um pouco sobre pressão hidrostática explicando que, quanto maior a imersão, maior a pressão (de baixo para cima). Isso porque, quando sob pressão, o corpo transfere sangue das extremidades inferiores para a caixa torácica, promovendo aumento do volume de sangue no coração e com isso, maior força de contração, que vai movimentar órgãos e músculos, facilitando a atividade.

Ela observa que com mais pressão no tórax, aumenta o empenho dos órgãos da respiração e com isso, há um trabalho total da respiração, benéfico para quem faz a hidroterapia.

Foto: Matheus Alves/ Fasam
Foto: Matheus Alves/ Fasam
Malu palestra sobre o método Halliwick dentro e fora do país.

Temperatura

Seus efeitos seriam responsáveis por mudanças na rigidez (visco-elasticidade) do tecido conectivo, promovendo o aumento da amplitude do movimento articular, comprimento muscular e relaxamento. Especialmente a rigidez relatada na parte elástica do músculo, que corresponde a 90% da rigidez total, pode ser influenciada pela temperatura da água.

Junto com a flutuação, este fator também favorece uma maior descompressão articular, facilitando um aumento do que chamamos de graus de liberdade (aumento da amplitude articular de membros superiores e inferiores).

Marcha

Uma das principais atividades a serem trabalhadas na água é a marcha. A oscilação ativa e maior extensão dos músculos do quadril, posição de perna facilitada e fase de apoio aumentada na água são fatores que facilitam o trabalho de ambos padrões de marcha (ipsilateral ou contralateral são ativados).

Além disso, a inclinação anterior aumenta e os músculos abdominais são bastante ativados durante a atividade aquática.

“Quando penso em processo de reabilitação, no nanismo, por exemplo, tenho que melhorar a função (força, equilíbrio, estabilidade) em diferentes etapas deste processo, porém sem me esquecer de fazer a pessoa voltar à atividade adequada de rotina e participação ativa na vida, ou seja, independência o quanto antes”, esclarece a terapeuta sobre sua linha de trabalho e prioridades quando define um programa de tratamento aquático.

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Rafaela Toledo

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