Encerramento Congresso de Nanismo

Gigante Léo, Giovanni Venturini, Kenia Rio, Carla Abreu, Viviane de Assis, Liana Hones e Juliana Caldas; da esq. para a dir.

O segundo dia do Congresso de Nanismo de 2017 foi pleno, divertido e emocionante. Iniciado em um bate-papo no auditório do Memorial Getúlio Vargas, o encontro terminou com um lindo desfile que arrancou muitas palmas e lágrimas da plateia.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Kenia Rio, presidente da ANAERJ abrindo o segundo dia de Congresso

Convidados para o palco, Kênia Rio, advogada e presidente da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro (ANAERJ); Carla Abreu, servidora pública Federal do TRF da 5ª Região, Analista Judiciária da cidade de Fortaleza; Leonardo Reis (o Gigante Léo), ator, humorista, comediante e mestre em engenharia de software pela COPPE/UFRJ; Giovanni Venturini, poeta e ator; Viviane de Assis, bancária e passista e, finalmente, a bastante esperada Juliana Caldas, atriz da Globo que vai levar o nanismo para o debate público na próxima novela.

Quem abriu as conversas foi Giovanni. Mas cada um, de sua forma, escolheu contar um pouco da sua história para mostrar que condição física não determina a vida que você tem. É sua vontade de perseverar e sua confiança em si mesmo que dita o curso da sua vida. Essa foi exatamente a conclusão a que cada um dos participantes deste debate chegou, depois de seus exemplos de luta, persistência e coragem.

Acompanhe agora um pouco da vida de cada um dos nossos ídolos e entenda como acreditar em si mesmo e ter resiliência pode levar qualquer pessoa a alcançar seu sonho. Fizemos um apanhado das melhores partes do evento. Tudo para trazer quem não estava no Rio de Janeiro para mais perto desta família que se formou neste Congresso. A força de cada um é o que tem tornado nossa causa cada dia mais pujante para sociedade e poder público.

Giovanni Venturini

“Espero, todos nós esperamos, um momento quando não precisarmos de uma personagem que tem nanismo para ganhar espaço”.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert CarracoGiovanni emocionou a todos com sua poesia

Além de declamar sua poesia, que é uma obra de arte ditada pelo espírito e desenhada em linhas e sons mais simbólicos do que a semântica das palavras carrega, ele falou também sobre a necessidade das pessoas ocuparem seus espaços. Independente de tamanho mas pelo que são. Pelo trabalho que realizam.  

O ator falou sobre o trabalho dos gigantes na dramaturgia brasileira e mundial e na importância de serem cogitados por seu talento e não por sua condição física.

“Espero, todos nós esperamos, um momento quando não precisarmos de uma personagem que tem nanismo para ganhar espaço. Espero que cheguemos no cinema como o Peter Dinklage que atua em papéis que nem citam o fato de ser anão… Independente do nanismo.

Eu gostei muito de participar de Cúmplices de um Resgate (novela do STB) porque foi voltada para o público infantil. É importante focar nesse público porque é a nova geração que vem aí e daqui há alguns anos vamos ter uma sociedade melhor. Me senti muito feliz de abordar o tema do nanismo principalmente com o público infantil para mudar este panorama que estamos acostumados a ver”.

Giovanni aproveitou a oportunidade para divulgar o lançamento de seu livro “Anão ser”, que leva o mesmo nome de sua poesia predileta, publicado recentemente em versão áudio, para quem tem dificuldade visual.

Para quem não conhece, segue o poema declamado pelo ator na ocasião:

Acima de tudo e abaixo de todos

sou anão.

Até mesmo ‘acima’ do meu banco

ou quieto no meu canto

continuo pequeno cidadão.

 

E anão nada mais é que um ser gigante por dentro.

Alguém que esqueceu de crescer por fora,

que inverteu o sentido e o significado

de vir e ir embora,

de crer e de ser

de crescer.

 

Todos crescem, menos nós.

Cordas infindas em nós

somos eternamente imensos

em prosas, ‘in-versus’.

 

Não vejo diferença entre os anões e os demais.

A não ser os banais.

A não ser a indiferença de ser grande.

Anão: ser Gigante.

 

Portanto, (gig)antes de mais nada,

(gig)antes de qualquer coisa,

adiante e diante do mundo

somos

gigAntes de tudo

como todos.

 

Carla Abreu

Cada um aqui é agente histórico. Não só da história do Brasil mas da sua própria história. Você pode hoje, agora, pegar sua história na mão e reescrever”.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Carla Abreu fala bravamente sobre o direito de todos de viver plenamente.

Carla é uma mulher incrível que jamais desistiu de nada porque tem nanismo. Desde sempre recebeu muito amor em casa e por isso acredita que nada é impossível. Nem para ela. Nem para ninguém.

“Minha condição não coloca meu pertencimento familiar em cheque. Minha vó dizia: suas pernas são as minhas. Seus braços, os meus. Você é toda igual a mim. Ela não tinha nanismo. O que todo pai aqui deve fazer com seus filhos e netos é mostrar que está com ele. Na infância pra mim foi difícil passar pelas questões médicas mas o mais difícil foi quando eu consegui perceber o preconceito. As pessoas apontando e rindo.

Meu irmão mais velho teve papel primordial para processarmos isso juntos. Ele criou um mundo lúdico no qual todas as pessoas tinham nanismo. Neste mundo, ele era o único que era alto e era meu filho. O mais interessante é que ele sofria o preconceito por ser alto. E eu, mãe leõa, o defendia. Juntos processamos isso juntos através deste mundo lúdico.

Eu acho que é importante sempre perceber a dor de seus filhos. Não minimize a dor da suas crianças. É normal doer. Dói mesmo.

No meu caso, quando fui crescendo, referenciais positivos fizeram com que eu pudesse criar uma identidade positiva com meu próprio corpo. Eu procurava referências de pessoas como eu que eram bons profissionais. Na fase adulta continuei procurando e quem procura, acha. Eu encontrei. E esses referenciais foram importantíssimos para que eu, no processo de identidade, pudesse me desligar dos conceitos e estereótipos da mídia.

Eu estudei muito e eu procurei me aprimorar, provar pra sociedade e para mim mesma que sou capaz. Não sou o que a mídia diz e não devo me conformar com o estereótipo. Tomem conta disso. Ocupem os lugares que são seus.

O que você quer ser? Estude! Você vai ser. Você pode se apoderar deste lugar que é seu. Se apodere de seu próprio corpo.  A gente não é o que a mídia diz. Tome conta disso. Se apodere de cada lugar, como mulher, homem, profissional.

Outro ponto: quando nos apoderamos dizemos para sociedade e o poder público que a gente existe e tem direito à acessibilidade, direitos cívicos e sexualidade também, que é inerente à qualquer ser humano.

Muitas vezes, na adolescência eu percebia que nossa sexualidade era colocada de uma forma bem inadequada. A gente tem direito de que a nossa sexualidade seja vista como natural e normal. Se apoderem disso. Vocês têm direito a isso. Vocês têm direito de viver com autonomia e plenitude. Cada um de nós aqui.

Cada um aqui é agente histórico. Não só da história do Brasil mas da sua própria história. Você pode hoje, agora, pegar sua história na mão e reescrever. Pegue sua voz. Pegue a história de vocês com a mão e reescrevam porque vocês tem uma história muito bela pra contar”, finalizou esta gigante com uma fibra impressionante.

Leonardo Reis, Gigante Léo

Se existe a luta, temos que nos unir. Não deve ter distinção de grupo. Temos que lutar juntos, mas quando nos isolamos, isso é perigoso”.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Gigante Leo veste nossa camisa sempre 😉

Ele estava agendado para um stand up na ocasião. Mas seu espírito gigante deu espaço para que outras pessoas pudessem se pronunciar. Despretensiosamente, não quis ocupar 1h15 de Congresso, tempo estimado para seu show. Ao invés disso, resolveu contar sua história e mostrar como se tornou o Gigante Léo, uma pessoa que abraça a vida com tanta alegria que precisa compartilhar com todos.

“Resolvi preparar algo especial para este evento. Abrir meu coração. Mostrar quem é o Leonardo. Como fui criado. Para servir de experiência ou não.

Primeiro: você é quem faz a diferença. Se eu posso, você também pode. A gente tem mania de culpar o outro pelos nossos problemas mas a maior parcela está em você. Se você quiser e correr atrás, você pode. Eu gosto muito do exemplo deste cara: Stephen Hawking. Ele teve um tipo de esclerose degenerativa e ficou tetraplégico. Se ele é o maior cientista da atualidade, qual a minha desculpa? Nenhuma”.

Assista abaixo o trailer oficial do filme Teoria do Tudo, cinebiografia do astrofísico britânico.

Léo continua: “Se você quer, você pode. Temos que parar com vitimismo. Problema socioeconômico não tem nada a ver com nanismo. A gente tem mania de misturar as coisas e isso é muito ruim.

Minha criação foi essencial para eu ser quem eu sou. Eu nunca fui tratado como coitadinho. Nunca fui tratado de forma diferente. Tendência a proteção demais é tenebroso para a criança. Na minha casa tinha pouquíssima adaptação. Isso foi importante.

Minha mãe não é perversa (rs). Isso foi maior prova de amor. Graças a isso consigo me virar plenamente em todos os lugares pq aprendi a me virar em casa.

Hoje, minha casa é mais adaptada. Não estou dizendo que o mundo não tem que se adaptar. Tem. Mas o nosso mundo sempre foi assim. A gente conhece o mundo dessa forma. Se eu acordasse com 1,90m, eu ia achar tudo muito estranho (rs). Não existe outra realidade.

O mais importante é que meus pais nunca duvidaram que eu seria capaz de realizar meu sonhos e sempre estiveram ao meu lado. Sempre me apoiaram e disseram que eu ia conseguir, mas sempre colocaram a realidade dos fatos.

Talvez essa seja a grande dificuldade dos pais: o limiar entre falar a realidade sobre o nanismo ou esconder. A gente às vezes tenta proteger demais e passar por cima de situações que não deveríamos passar.

Por outro lado, tem pais que frisam demais. Tudo é porque a criança tem nanismo. Muito difícil esta questão. Acho que o ideal é não passar por cima e nem ficar martelando. Resolver a situação e bola pra frente.

Quanto à discriminação, todos já passamos mas é importante perceber os olhares. Nem tudo é discriminação. Gostei muito de um vídeo postado no canal do Somos Todos Gigantes sobre isso. Nem todo olhar é discriminatório. Precisamos observar isso.

Eu passei por isso quando não fui aceito na primeira escola. Mas na escola em que fui aceito, por outro lado, foi ótimo. Eu era cobrado de acordo com a minha capacidade. Era cobrado meu máximo. Eu corria proporcionalmente ao meu tamanho na educação física. Mas tinha que correr igual um cachorro (rs) e dar o meu máximo. Essa educação foi fundamental para tudo isso acontecer.

Também caí numa perícia médica em que o cara me falou que eu nunca ia dirigir inicialmente mas depois também superei isso. Dirijo para todo lado.

O maior preconceito está em nós mesmos. Às vezes, a garota olhou pra você não porque você é anão mas porque está afim de você.

A gente evita, muitas vezes, ficar perto de pessoas com nanismo porque temos vergonha de nós mesmos. Se levarmos isso muito a ferro e fogo, criamos isolamento. Se existe a luta, temos que nos unir. Não deve ter distinção de grupo. Temos que lutar juntos mas quando nos isolamos, isso é perigoso.

Eu nunca fui de namorar geral. Relacionamentos eram poucos mas isso era mais problema meu. Tive poucos, por causa disso. A Carol foi o recorde. Quando ela bateu o quarto mês, vi que ia ficar sério. Já me relacionei com mulheres de estatura média e mulheres com nanismo.

Já tive relacionamentos ruins com ambos os casos. Não é o fato de ser anão ou não que vai fazer dar certo.

Sempre sonhei em constituir família e tinha que ser uma pessoa especial. Simplesmente. Dificuldades, todos nós temos. Altos, baixos.

Quero dizer que não sou só eu, ou o Giovanni na novela dele, ou a Juliana que vai entrar agora na novela da Globo. Todos nós temos a corresponsabilidade de fazer meu filme estourar, fazer a personagem da Jú estourar, fazer o personagem do Giovanni estourar. Precisamos lotar as salas de cinema para verem que este filme faz a diferença.

Depende de cada um de nós. Não só para gente fazer sucesso (claro que a gente quer! rs) mas para dizer que anão ator é bom. Igual advogado, médico. Se todos nós nos juntarmos, será um sucesso”, finaliza sempre fazendo todo mundo rir.

Viviane de Assis, bancária e passista

Vamos amar, ser amadas e respeitadas. Tanto altos quanto pequenos”.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Viviane de Assis entendeu logo cedo que samba é no pé, não na estatura.

Ela não esconde. Tem mesmo a sensualidade tão aclamada mundialmente da mulata brasileira. De sangue quente e samba no pé, ela dá show de autoestima e ensina que nada pode para o sonho de quem tem vontade, perseverança e confiança na própria garra.

“Como todos contaram sua história, não vou deixar de contar a minha. Quando viram que a Viviane tinha nanismo (eu falo de mim mesma na terceira pessoa, rs), tive uma família maravilhosa. Meus pais nunca esconderam o nanismo. Sempre fui o bibelô do meu pai.

Tive sofrimento como todos aqui. Nos momentos de colégio foi muito preconceito. Mas penso que precisamos deixar nossos filhos lutar no seu dia a dia. Muitas pessoas não aceitam essa palavra: anão. Mas é nossa realidade. Nosso cotidiano. Vamos passar isso a vida toda.

Mas isso nunca me impediu de nada. Sempre fui namoradeira. Nunca namorei homem pequeno, não por falta de interesse deles (rs).

Eu resumo a minha vida assim: fui estudante, fiz ensino médio completo. Sou mãe. Meu filho tem 16 anos e é passista (não sei de onde puxou, rs). Graças à minha família, todo mundo fala da minha autoestima.

Antigamente, eu arrumava briga, sim, por causa dos olhares alheios. Hoje, quando as pessoas vão rir, eu paro e espero… para saber do que se trata, como o Léo falou. Antes, eu tinha certeza que era por causa do Nanismo, agora, muitas vezes, é porque me reconhecem do carnaval. Meu sonho sempre foi concorrer à rainha do carnaval. Mas nunca pude porque tinha que ter 1,60m. Nunca entendi. Porquê? Se o samba é no pé, não é na altura?

Um dia resolvi e fui fazer a inscrição. A ANAERJ me ajudou muito. Faço parte da associação e isso me deu muita força. Quando cheguei lá para fazer a inscrição, tinha uma fita métrica… 1,60m… E eu não desisti.

Não pare seu sonho por causa de altura. Muitas pessoas aqui são preconceituosas com seu próprio tamanho. Temos que ter autoestima. Acho lindo essas meninas aqui maquiadas para o desfile, se olharem no espelho e saberem que são bonitas. Autoestima é tudo na nossa vida.

Outra coisa que acho importante dizer é que o emprego que tem que se adaptar à gente. Eu não acho justo como bancária ter que subir numa resma de folha A4 pra tirar uma cópia porque a impressora é enorme e fica em cima de uma mesa. O ponto é lá na casa do caramba (rs). Eu brigo muito com meu gerente por isso.

Mas nunca deixei de fazer nada porque tenho nanismo. Por meio do Projeto Cidadania Sobre Rodas, por exemplo eu tirei carteira de motorista.

Eu tenho um filho de estatura normal. Muitas pessoas não acreditavam que ele era meu filho. Ele está com 16 anos e hoje quer me defender dos olhares maldosos. Também temos que trabalhar isso com eles. Temos que colocar nossas crianças com a mente aberta para tudo. Ensiná-los a lidar.

Também acho essencial falar para as meninas: Não somos curiosidade de homem! No meu Face, o que mais tem são homens querendo tirar sua curiosidade, falando besteira. Não precisamos disso. Tirar curiosidade de ninguém. Vamos amar, ser amadas e respeitadas. Tanto altos quanto pequenos.

Quero lembrar que sou da Embaixadores da Alegria, escola que desfila todo ano nas campeãs. Esse ano Viviane vem como musa, rainha de bateria, destaque. E estamos precisando de patrocínio. Quem quiser e puder apoiar, junte-se a nós. Pronto, falei”, brinca essa diva gigante que representa a força, beleza e fibra da mulher brasileira.

Juliana Caldas

“Eu não penso só nos anões. Penso no respeito em geral. Não só para o deficiente. Respeito é para todos”.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Juliana Caldas vai interpretar Estela, filha de Marieta Severo que sofre preconceito, na novela das 9.

Ela foi muito esperada, mas não confirmou presença por causa das dinâmicas das gravações, o que tornou a surpresa de tê-la ali ainda mais emocionante. Ela fez questão! Juliana vai interpretar Estela na obra de Walcyr Carrasco, filha caçula de Sophia (Marieta Severo) e irmã de Gael (Sergio Guizé) e de Lívia (Grazi Massafera).

Seu papel vai abordar de forma bastante dramática o preconceito vivido pelas pessoas com nanismo. No caso, a rejeição acontece dentro da família. Segundo Juliana, o objetivo é fazer referência dentro do microcosmos da família, ao preconceito que quem tem nanismo passa em versão macro no contexto social brasileiro.

“Minha mãe nunca adaptou nada. Essa foi a forma dela ensinar: o mundo não vai se adaptar a você. Se vira!

O que eu tenho pra dizer, depois de tudo que já foi dito é amém! (rs) Todos já falaram tudo. Então também vou contar um pouco da minha história. 

Meu pai é anão. Eu e meu irmão também. Trabalho desde os 15 e sempre fui atrás do que quero. Já há 10 anos faço teatro e agora tive a oportunidade de trabalhar na novela. Óbvio que o fato da novela ter uma anã é pelo simples fato de falar sobre o assunto. Falar sobre nanismo.

Aos poucos estamos crescendo. Leo, Giovanni, Pri (Priscila Menucci)… Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que dizem querer muito realizar coisas semelhantes. Se vocês querem tanto, vão atrás!

Não é o tamanho ou a dificuldade que vai te impedir. Eu nunca deixei de fazer nada do que eu queria. Só na adolescência. Mas vai muito dos pais, da formação dos pais, que tem que ensinar o filho que tem uma deficiência a lidar com isso e o filho que não tem deficiência a não constranger quem tem. Aí que a gente tenta mudar o mundo.

O preconceito existe. Nossa grande preocupação é a repercussão da exposição da rejeição. A direção da novela veio falar comigo para ter a sensibilidade de saber usar as palavras. Eu acho que tudo depende da forma como é dito. Não só a palavra anão… A palavra por si não ofende. O que ofende é como as pessoas falam.

Eu não tenho problema nenhum em falar que eu dou anã. Mas quando vejo que estão me desrespeitando, imponho respeito. O autor está escrevendo de uma forma que realmente dói. Dói em mim, na Marieta, em ler… Eu e Marieta lemos os textos e e a primeira coisa que fazemos é conversar sobre aquilo. Para ela é muito difícil falar tanto como pessoa quanto como personagem e para mim também é difícil receber, como atriz e como pessoa. Não porque eu tenha passado aquilo, mas por saber que existe quem diga e quem ouça barbaridades por causa de preconceito.

A história tem muito peso. Tem muita coisa que vai ser dita. Vamos nos aprofundar nos personagens e criar afeições com as famílias e seu núcleos. A sociedade não sabe, não vive isso e vai ter essa visibilidade. Vão ver que ser chamada de monstro, dói. A trama é na família, mas óbvio que não significa que toda a família é assim. A sensibilidade questionada é na família. Mas a família faz adaptações para gente, a sociedade não.

Está sendo uma oportunidade muito grande de levantar essa bandeira num lado dramático, real, sério, mas não depende só de mim. Depende de cada um se impor. A novela está dando esse espaço para todas as bandeiras serem levantadas.

Eu tenho pensado muito sobre isso. Cada um tem que se impor. Se respeitar. Se assumir. Não ponho só nanismo em prioridade mas qualquer pessoa com deficiência. Já fiz trabalho ao lado de pessoas com outros tipos de deficiências. Eu não penso só nos anões. Penso no respeito em geral. Não só para o deficiente. Respeito é para todos”, fecha a atriz com chave de ouro.

Após essa aula de coragem e superação, todos foram convidados para um desfile encantador assinado por Priscila Pimenta, designer inclusiva que realizou o sonho de colocar seu trabalho de conclusão de curso em prática: uma coleção inteiramente voltada para os gigantes. O projeto Vidas Iguais Tamanhos Diferentes, realizado pela parceria da fotógrafa Aline Palaoro e da designer Midian Silva também iluminou a passarela num momento extremamente emocionante: três vestidos de noiva, três sonhos, três beleza únicas representadas com amor, atenção e o luxo que todo casamento pede. Os acessórios foram de design exclusivo de Ana Gift & Design, marca que sempre se preocupou com a inclusão de todas as vontades.

Foto de Robert Carraco

Foto de Robert Carraco
Participantes do desfile irradiaram alegria e a beleza ímpar de quem escreve a própria história.

O encerramento ficou por conta da animação de Mc Montanha e todos se encontraram no final para um lanche oferecido pela ANAERJ.

Foto de Robert Carraco

Mc Montanha e a namorada, Liana Hones, no segundo dia do 2º Congresso de Nanismo.
Mc Montanha canta e encanta a namorada, Liana Hones.

Continue acompanhando e veja a galeria de fotos do desfile completa no próximo post. Não deixe de compartilhar e nos seguir nas redes sociais para receber as novidades sempre por notificação.

Rafaela Toledo

Comentários

6 respostas

  1. Quero deixar meus parabéns a todas as pessoas envolvidas com esse projeto que vem crescendo cada vez mais , só assim mesmo para conscientizar as pessoas para nos respeitar e acabar com esses preconceitos, conscientizar a todos que somos iguais a qualquer pessoa a única diferença é que somos edição limitadas porque somos raridades.

    1. kkkkkk! Isso mesmo, Elzeni. Te aplaudimos de pé! Com sua atitude positiva e bom humor, você é um exemplo para todo mundo que quer aprender a viver bem. A campanha só acontece pela união de todos nós! Parabéns a cada um que participa conosco. Seja lendo, comentando ou conversando sobre nossa causa.

    1. Oi, Adrielle. Você deve entrar em contato direto com a Associação. Nossa sugestão é que faça contato pelo telefone ou redes sociais e se informe melhor sobre os procedimentos para se associar. A presidente da Anaerj se chama Kenia Rio. Esperamos que dê tudo certo.

  2. Parabéns a todos os envolvidos nesse trabalho de conscientizar, respeitar e vencer preconceitos. Namoro uma gauchinha anã (Marcia Pacheco) linda e maravilhosa. Eu sou uma pessoa de muita sorte por ter ao meu lado essa raridade de mulher perfeita.

    1. Que sorte a nossa também por conhecer histórias lindas como a de vocês e trabalhar por uma realidade onde o amor importe mais do que padrões estéticos. 😉 Obrigada, Marcelo e Márcia, pela audiência e exemplo!

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