Displasia de Kniest e a Espondiloepifisária Congênita podem causar descolamento de retina

O descolamento de retina em crianças não é algo comum, mas acontece e pode corresponder até a 13% dos casos. Caso aconteça, entretanto, a cirurgia é a única opção de tratamento e , infelizmente, nem todos os casos são operáveis. Apesar de serem raros, podem ocorrer com mais frequência em crianças com dois tipos de nanismo: Displasia de Kniest e a Espondiloepifisária Congênita. Isso porque estes tipos de nanismo afetam principalmente o colágeno tipo II, o que pode resultar em um crescimento exagerado do tamanho do olho. A orientação dos especialistas é que as crianças façam acompanhamento regular. 

Alessandra Thome Rassi, de 35 anos, é oftalmologista e especialista em retina pediátrica pelo Retinal Consultants, do Beaumont Hospital, em Michigan, nos Estados Unidos.  Ela explica que este colágeno tipo II está presente tanto na esclera, que é a parede do olho, quanto no humor vítreo (gel do olho). Com a fragilidade da parede, a criança pode ter uma alta miopia. “O indivíduo com alta miopia geralmente apresenta uma retina mais fina, com maior chance de evoluir com pequenas rupturas, por isso é importante acompanhar esses pacientes com consultas regulares e tratamento com fotocoagulacão, se necessário”, completa.

A oftalmologista pediátrica pontua que infelizmente casos muito graves são considerados inoperáveis. Para os cirúrgicos, há dois tipos de correção conhecidas como vitrectomia posterior via pars plana ou a retinopexia com introflexão escleral. Ambas são consideradas de alta complexidade e diferente dos adultos, envolve ainda desafios maiores de modo que nem sempre os resultados são positivos. A recomendação da especialista é o acompanhamento periódico para um tratamento preventivo.

“Toda cirurgia possui riscos, e a cirurgia de retina não é diferente. Sempre existe o risco de não conseguirmos colar a retina durante o procedimento. Após a cirurgia o paciente deve continuar o acompanhamento pois pode apresentar infecção (endoftalmite), aumento ou diminuição da pressão intraocular, catarata, redescolamento”, pontua.

 

Traumáticos X não traumáticos

Os descolamentos traumáticos, como o próprio nome diz, surgem decorrente de um trauma, seja ele contuso, quando não há perfuração ocular, ou perfurante, quando há perfuração ocular. Já os descolamentos não traumáticos geralmente estão associados a alterações oculares prévias.

“A retinopatia da prematuridade é a causa mais comum, outras causas mais frequentes seriam: persistência hiperplásica do vítreo primário, doença de Coats, alta miopia, síndrome de Stickler, vitreorretinopatia exsudativa familiar, retinosquise. Apesar destas serem importantes causas de descolamento de retina em crianças, são raras quando consideramos a população geral”, afirma a médica que também integra a equipe do Instituto Panamericano da Visão e do grupo Retina Pediátrica. 

Catherine Moraes

Jornalista por formação e apaixonada pelo poder da escrita. Do tipo que acredita que a informação pode mudar o mundo, pra melhor!
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