Como ensinar filhos sobre pessoas com deficiência

O melhor das crianças é a espontaneidade. Criança não tem maldade, malícia nem moralismos que as impeçam de dizer o que pensam e manifestar suas dúvidas abertamente. Não há nada demais nisso! Aliás, criança saudável é aquela que está em constante experimentação no mundo. Aprendendo com cada questionamento e enriquecendo nossa realidade com sua pureza e criatividade. Por isso, não é um problema uma criança se interessar por uma condição física que para ela não é convencional. É algo novo. Gera curiosidade, e nosso papel de pais é orientar com respeito e reciprocidade. Tanto com a criança, quanto com quem ela observa.

Quantas vezes não somos tomados por uma admiração indescritível quando vemos quanta bondade e humanidade existem nos pensamentos e atitudes das nossas crianças? Na forma livre de ver a vida e enxergar possibilidades onde nós, com nossos esquemas, horários e objetivos, só vemos limites.

Admirar o espírito infantil não basta. Enquanto adultos, temos a responsabilidade de guiar as descobertas dos nossos pequenos gigantes, rumo ao seu autoconhecimento e à felicidade. Mas adultos, somos todos orientados por um sistema de vida pré-estabelecido. Modelos de sociedades necessários para que convivamos coletivamente protegendo nosso limite e respeitando o do outro. Muitas vezes, estes ajustes que nos levam a trilhar os caminhos do politicamente correto são mais excludentes do que agregadores.

Por isso vale a pena observar atentamente: como você fala para os seus filhos sobre a diferença entre as pessoas? Como reagir quando ele nota a presença de alguém com alguma deficiência e chama sua atenção? Ou aponta?

Constrangimento não é coisa de criança. Mas é algo que podemos trabalhar pessoal e coletivamente, conosco e com elas, partindo de suas dúvidas. Muitas vezes, aprendemos ensinando. Então aproveite a oportunidade e siga nossas dicas para ensinar e aprender um mundo melhor.

 

  1. Explique tudo abertamente para seu filho:

Você já falou sobre a grande diferença entre as pessoas para seu filho? É importante falar sobre deficiências, senilidade, hierarquia familiar e qualquer assunto que inclua as diferentes formas da gente sentir a vida e se adaptar a ela. Assim, sempre que pensar na condição do OUTRO, seu filho(a) vai considerar este outro como alguém que pode ser totalmente diferente dele, apesar de ser humano exatamente igual a ele.

 

  1. Se ele notar alguém e questionar, seja gentil e receptivo(a) com a dúvida:

Não existem motivos para alarde. Pessoas de baixa estatura, por exemplo, geralmente estão acostumadas com os olhares alheios e não vão se incomodar com a curiosidade infantil. Puxar a crianças, dar bronca, afastá-la da dúvida e da explicação, só pode gerar mais confusão e, de fato, um constrangimento real.

 

  1. Se apresente, apresente a criança e faça amizade:

A forma mais diplomática de resolver qualquer impasse é a conversa. Nada melhor do que aproveitar para criar uma nova amizade. Se apresente para a pessoa que despertou curiosidade no seu filho. Explique sua dúvida e deixe que a criança converse e questione por si só. Algumas pessoas podem não estar abertas ao diálogo. Mas isso é algo comum na vida. Por diversas vezes, batemos em portas que não vão se abrir. Basta seguir para a próxima entrada. Com resignação e respeito, porque cada um sabe os motivos que tem para ser quem é.

 

  1. Fique atento(a) à reação de seus filhos:

Crianças em idade escolar desenvolvem o senso competitivo e brincadeiras comparativas como formas de auto afirmação. Caso sua crianças esteja sendo inconveniente de alguma forma, explique que ela também não gostaria de ser tratada daquela forma. Lembre-se: bullying não é apenas uma brincadeira infeliz, mas algo incessante que causa graves prejuízos à autoestima e ao relacionamento social dos envolvidos.

 

  1. Ensine seu filho(a) a se desculpar, caso tenha se excedido:

Como não tem malícia, a crianças, muitas vezes, não entende o desdobramento de uma brincadeira maldosa. Repreenda, quando for o caso, ensinando sobre a importância de pedir perdão e sobre a naturalidade de errar. Tome frente e se desculpe, caso entenda que a brincadeira dele magoou alguém.

 

  1. Caso seja o encontro de duas crianças, se esforce para aproveitar o momento:

O encontro entre crianças é sempre uma grande oportunidade de troca de conhecimento para ambas. Aproveite a chance de estimular o contato entre elas. Deixe que gastem um tempo juntas, assim podem aprender sobre as diferenças, enquanto os pais conversam e trocam impressões.

 

  1. Mostre que a diferença é normal e sempre existiu:

Livros, Filmes e Seriados (vários da Netflix, como Game of Thrones e Vikings) frequentemente trazem atores e personagens com alguma deficiência. Crie um ambiente onde seu filho conviva diariamente com as diferenças e forme um adulto preparado para melhorar nossa realidade. Consulte nossas dicas, mas fique atento a restrição de idade! 

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Ter tempo, atualmente e parar alguns minutos da rotina para deixar a vida fluir é algo praticamente impossível para muitos pais. O trabalho, o trânsito e as obrigações diárias deixam pouco tempo e paciência para nossos pequenos.

No entanto, o maior legado que podemos plantar para a colheita deles é nossa presença. Mesmo que o tempo seja curto, mesmo que o tráfego esteja caótico, mesmo que você tenha horário, saiba identificar os singelos momentos onde você pode ensinar e aprender com sua cria.

Pause tudo aquilo que não é tão essencial quanto invisível, sempre que preciso, ou você jamais verá o essencial. Ouça seus filho(a)s. Converse com eles. Respeite suas falas e seus erros. Ensine sobre respeito, respeitando. Afinal, “o essencial é invisível aos olhos” (Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe).

Rafaela Toledo

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