Aplicativo para auxiliar a mobilidade urbana

Foto de Divulgação
O teatro na Lapa, em São Paulo, recebeu palestra sobre acessibilidade e uso do aplicativo e mutirão no entorno.

Na internet, a palavra de ordem é colaboração. A maior parte dos programas e aplicativos digitais se desenvolvem e crescem a partir da participação das pessoas, direta ou indiretamente. Em último caso, o comportamento dos usuários diz tudo sobre o que eles querem e precisam, e o sobre o que eles ainda nem sabem que querem ou precisam. De forma mais imediata, a participação dos usuários é literalmente colaborativa para a construção das redes sociais e de alguns aplicativos, como o Biomob.

Criado para viabilizar o tráfego de pessoas com limitação de mobilidade, este aplicativo foi construído para ser incrementado pelos próprios usuários, assim como o Waze (app de GPS) ou o próprio Google Maps, sujeito à inserções de quem estiver logado em alguma conta da empresa.

Foto de Divulgação

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Valmir, criador do aplicativo Biomob

Talvez esta tenha sido uma das maiores dificuldades enfrentadas por Valmir de Souza, 51, Fisiologista pós graduado em Esporte Adaptado, criador e sócio diretor da Biomob Soluções Inovadoras para Acessibilidade. Ele topou falar com exclusividade para o público do portal STG e confessou que encontra dificuldade para engrenar o projeto exatamente por conta do fator colaboração.

Valmir conta que teve a ideia de desenvolver o app porque acompanhou a trajetória do pai, cadeirante por 10 anos. “Encontrei uma dificuldade enorme de localizar informações sobre acessibilidade, comecei a anotar os endereços numa agenda e, dela, surgiu a idéia do Biomob”, relembra. Além disso, o empresário trabalhou por três anos para um médico que pesquisava células tronco para lesão medular e criou grande empatia pelo tema.

Foto: Cadeirante Life

Foto: Cadeirante Life
Layout do App, mostrando os pontos acessíveis.

Atualmente, o maior volume de usuários do aplicativo está concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Isso ocorre porque eu realizo diversos mutirões desde os Jogos Olímpicos Rio 2016 para encorajar o engajamento”, esclarece Valmir.

Apesar de bem aceito nos grandes centros urbanos, a falta de engajamento das pessoas para a construção desta ferramenta colaborativa tem sido uma barreira para seu crescimento e evolução da rede de informações a que se destina o app. Se cada leitor deste site, por exemplo, criasse uma conta e começasse a compartilhar informações referentes a estabelecimentos acessíveis em sua cidade, em pouco tempo conseguiríamos um banco de dados considerável para nos locomover por todo o Brasil. E aí? Que tal colaborarmos?

A ideia é genial mas precisa da participação de quem mais se beneficia do serviço: as pessoas que têm mobilidade reduzida e precisam traçar rotas de tráfego possíveis. Se cada um compartilhar os lugares que conhece e frequenta, logo a rede será uma poderosa fonte de informação sobre acessibilidade urbana.

Para participar é muito simples: você baixa o aplicativo gratuitamente na Apple Store ou na Google Play, se cadastra através de um email válido e já pode começar a consultar os locais e fazer as suas próprias indicações. “Ele têm um sistema de ajuda de fácil compreensão”, acrescenta o criador da ideia.

O que mais nos limita: Preconceito ou Desunião?

“Acredito que a chave do meu sucesso é o engajamento e o empoderamento das classes, mas confesso que às vezes me frustro com algumas questões. Eu mesmo, por não ter nenhuma deficiência, sofro preconceito de quem têm. Alguns duvidam dos meus objetivos e questionam sem mesmo saber. Levam ao extremo a frase “Nada por nós, sem nós”, do Museu da Inclusão. Eu tenho vários amigos com deficiência que mesmo me conhecendo, não me ajudam”, confessa Valmir.

A desunião entre as pessoas que buscam o mesmo objetivo pode ser tão nociva quanto a falta de iniciativas como esta. É importante que cada um se responsabilize com a mudança que quer e espera do mundo. Este conselho promovido hoje aqui no Somos Todos Gigantes nasceu da fala do maior pacifista da história: Mahatma Gandhi.

Relançamento

Com uma estrutura mais sólida e alguns incrementos de função no aplicativo, a Biomob Soluções Inovadoras para Acessibilidade está preparando um relançamento para o próximo dia 01 de dezembro, em São Paulo. O evento vai acontecer em um Fórum no Unibes Cultural e quem quiser participar deve se inscrever gratuitamente. Basta seguir o perfil da Biomob no Facebook ou acompanhar as publicações do site www.biomob.org.

O formulário de inscrição vai estar disponível a partir de quinta-feira, 16, pela Eventbrite. Os eventos produzidos pela marca sempre recebem o nome de “Acessibilização”. Segundo o idealizador, o termo significa conscientizar e entender o que é acessibilidade.

Foto: Picssr

Foto: Picssr
Voluntários participando dos Mutirões Biomob

Desde o surgimento, há quatro anos atrás, a equipe do Biomob já passou por São Paulo,  Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Araxá (MG), Jundiaí (SP), Campinas (SP), Curitiba (PR), Aracaju (SE) e Maceió (AL) em mais 18 mutirões, onde voluntários se reúnem à causa para testar estabelecimentos urbanos quanto ao nível mínimo de acessibilidade necessário para a locomoção de pessoas com a mobilidade limitada.

O próximo final de semana, por sinal, será de trabalho coletivo. A galera do Biomob vai para Recife (PE) realizar mais um mutirão de análise do ambiente urbano quanto à acessibilidade. Quem sentir vontade de participar de forma mais ativa pode se inscrever para voluntário nos eventos criados no Facebook pelo perfil do app.

Já conhecia este aplicativo? Não? Mas conhece outros aplicativos com conceito de inclusão? Você usa? Quais? Compartilha com a gente nos comentários? Não esquece de compartilhar e chamar os amigos para se inscreverem no aplicativo.

Na nova versão, haverá os “embaixadores da acessibilidade”, comprometidos em indicar os locais em troca de um prêmio ainda não definido. Você pode ser um deles! Basta seguir as instruções, baixar o app e começar a interagir.

Rafaela Toledo

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