Gigante Leo no 3º Congresso de Nanismo

Retornando pelo segundo ano consecutivo ao Congresso Nacional de Nanismo, Gigante Leo trouxe um momento de interatividade com o público na terceira edição do evento. Sempre com muito bom humor, ele e Vecca, que voltou ao palco do Congresso no dia seguinte (10/11), falaram sobre um assunto que divide opiniões entre o público de gigantes do Brasil.

Leonardo Reis é ator, escritor e comediante, mas também é graduado em Ciências da Computação e mestre em Engenharia de Software. Atualmente, além dos stand up comedies, das apresentações teatrais, novelas, programas televisivos e filmes, ele ainda atua como analista de Tecnologia da Informação no Tribunal de Contas do município do Rio de Janeiro. Veca é atriz e palhaça e tem um canal no Youtube chamado os Babados da Veca. Veca é filha de Nelson Ned e esteve pela primeira vez palestrando em um Congresso de Nanismo.

“Queremos a opinião de vocês sobre essa relação do humor com o nanismo”, o humorista abriu o debate no painel de encerramento da noite de abertura (09/11) do 3º Congresso de Nanismo.

Vecca foi a primeira a opinar. “Humor, risada, sorriso, quebra barreiras. Um sorriso quebra qualquer barreira. Não sorrir do outro mas com o outro. Você trazer a pessoa para sorrir junto com vc. O humor é bem vindo neste sentido. Porque as pessoas costumam tirar muito sarro dos pequenos, fazer bullying. Mas isso nas novas gerações mudou muito. A inclusão fez isso. Estamos aqui para isso. Para nossos filhos terem uma melhor relação com a sociedade”, fala a atriz e palhaça, completando que comédia é interessante e agrega quando é inteligente.

Leo afirma que o humor é uma forma leve de ver a vida que já vem de pessoa para pessoa, de família para família. “Eu, graças a Deus, cresci numa família que é assim, então pessoal extremamente positivo e a gente sempre vê a vida por uma lado bom”, exemplifica. Para ele, a melhor maneira de vencer as dificuldades é através do humor. Da alegria.

“Isso que eu tento buscar no meu trabalho artístico. Esse olhar meio diferente do que é comum. Mas eu tenho muito receio de uma corrente contrária que proíbe os anões de fazer coisas que, eu não faria, mas não me sinto no direito de recriminar quem se propõe a fazer. Como ficar ali no Pânico, tomando torta na cara… Assim como no Pânico, tem mulheres gostosas, de biquíni, só para aparecer o corpo… Eu não faria, se fosse uma mulher gostosa, aquele papel (risos) mas eu acho que proibir, recriminar é algo que é outro tipo de exagero. Não podemos tomar este caminho. Acho que tem caminho para todos. Assim é muito mais frutífero, mais produtivo, e não machuca ninguém”, pondera o humorista.

Juliana Yamin, empresária e idealizadora do Somos Todos Gigantes, aproveitou para inaugurar a participação da plateia com a pergunta: “Existem pais nos movimentos atuais, que não aceitam e não gostam da palavra anão. Levantam sempre a polêmica, se é certo, errado, ou pejorativo. Percebo que vocês não tem dificuldade com a palavra nem acham pejorativo. É por causa do humor”?

“A questão do politicamente correto acho muito delicado porque usar termo correto, não necessariamente quer dizer que você vai ser correto com a pessoa. Eu, particularmente, não me incomodo com o termo anão. Isso não me torna menor nem maior que ninguém. Depende da forma como você é abordado. A gente tem que levantar uma bandeira muito maior do que usar palavras corretas, temos que levantar a bandeira de tratar as pessoas da maneira correta. Isso é ser politicamente correto: tratar todo mundo de forma igual, independente da diferença”, respondeu Leonardo primeiro.

Sempre entre piadas e risadas, a dupla continua. Desta vez, na voz de Veca: Concordo com o Leo, não é a palavra. É a forma. Eu costumo falar anãozinho… Tem um amigo que não gosta porque diz que anão já é pequeno, anãozinho então é demais (risos)… Mas daí já é problema dele… eu chamo como eu quiser (risos). Sendo com amor, a coisa vai para frente. Tem que ter respeito e temos que nos empoderar disso. Perguntaram para o meu amigo Fernando Viggui: você gosta de ser chamado de pequeno ou de anão? Ele respondeu: pelo meu nome, muito prazer, Fernando”, brinca e fala sério.

Veca relembra o legado do pai. Nelson ensinava às filha: “Nunca trafique com sua estatura. Se você tem talento, seu talento que vai ter garantir. E foi o que garantiu ele. Que viveu do próprio talento”, recorda a filha saudosista.

A plateia se envolveu no debate e muitas pessoas deram suas opiniões. Tanto sobre o limite da comédia envolvendo o nanismo, quanto sobre o termo anão e sua possível carga pejorativa. Personalidades representativas se manifestaram como Luciano Bezerra, o Montanha, paratleta campeão mundial em halterofilismo; e a Mari Ricci, mãe dos gigantes mais fofos do Facebook Edu e Heitor, e uma das voluntárias que trabalhou durante todo o evento no apoio, ajudando a tornar possível o evento em Goiânia.

Antes de fechar e entregar o microfone para a plateia, Leo acrescentou: “Extrapolando o humor e partindo um pouco para a arte de forma geral, é pelo que a gente tem lutado, eu, Juliana Caldas, Pri Menucci. A gente não tem que proibir outras formas mas buscar novas possibilidades de fazer humor. A gente não ser chamado para fazer papéis de anões e sim, papéis comuns como o Peter Dinklage, do Game of Thrones, excelente ator, ganhou este ano o Globo de ouro novamente como ator coadjuvante, e ele é sempre chamado para fazer papéis comuns”.

Veca finaliza: “Eu acho o humor é uma benção. Que é uma forma de tornar tudo mais leve. De mostrar para as pessoas que nós temos nanismo mas que está tudo certo”, opina contando seus truques de sempre fazer amizade e piadas voltando aos locais onde as pessoas ajudam com suas limitações de forma leve, divertida e carinhosa.

Todo sentimento nasce dentro da gente. Parafraseando a psicóloga Mirella Nery, que citou Jean-Paul Sartre em sua palestra no Congresso, “não importa o que fizeram de mim, mas o que eu fiz do que fizeram de mim”.

Despertar um olhar afetivo sobre a realidade, conforme ensina Ana Holanda, editora da revista Vida Simples que já apoiou a nossa causa e concedeu entrevista exclusiva à equipe do STG (LINKAR); muda toda a perspectiva de vida. Escolher um olhar compreensivo, entender a falta de informação das pessoas e, em última instância, perdoar a ignorância daqueles que não sabem o que fazem, conforme ensina o livro sagrado, é opção de cada um. Escolher rir, à chorar, pode mudar tudo no seu mundo e no mundo ao seu redor.

Assista agora ao painel completo da dupla.

Rafaela Toledo

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