Livro infantil aborda Nanismo e ajuda escolas e pais

Foto de Divulgação
Lançamento do Livro de Fabiana Salatiel

O livro foi escrito por Fabiana Salatiel e ilustrado por Alex Pereira como uma forma de abordar o assunto do Nanismo com crianças bem pequenas da forma mais natural possível. Ambos trabalham em uma escola que recebeu uma criança de baixa estatura ano passado e conviveram com as adaptações que a instituição empreendeu para dar autonomia e equidade à criança dentro da escola. O lançamento foi na Livraria da Leitura no Shopping Via Parque na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro, no último dia 25, em comemoração ao Dia Nacional do Combate ao Preconceito Contra as Pessoas com Nanismo, e contou com personalidades ilustres como Kênia Rio, presidente da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro, e Rebeca Costa, modelo e blogueira.

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes e em breve o livro estará disponível para compra na internet. Enquanto isso, a promessa é de que alguns exemplares estejam disponíveis durante o 3º Congresso de Nanismo e 1º Encontro Somos Todos Gigantes, que vão acontecer em Goiânia, entre os dias 09 e 11 de novembro. Se ainda não fez a inscrição, não perca mais tempo. Acesse AGORA o link e garanta sua participação.

A escritora

Fabiana Salatiel tem 43 anos, é psicóloga e educadora, especializada em educação infantil e atua como professora há 26 anos, especialmente com crianças pequenas. Já lecionou para crianças com paralisia cerebral, paralisias de membros inferiores e atualmente está tendo contato com a Síndrome de Down.

“O ano passado tive o privilégio de ser professora do Matheus que me mostrou o lado do nanismo que eu conhecia muito pouco mas me despertou um desejo enorme de me engajar um pouco mais e contribuir de verdade fazer a diferença de alguma maneira. Hoje em dia, temos muita atenção para os cadeirante, autistas, mas percebemos uma batalha maior para o Nanismo. Isso me chamou atenção quando eu fui ao Congresso de Nanismo aqui no Rio. Me motivou”, disse a autora do livro em entrevista exclusiva para o STG.

A obra

O livro surgiu de uma conversa com a família sobre como contar para a criança sobre sua condição. De acordo com a professora, em sua percepção, Matheus tinha alguma consciência de sua diferença mas nada formalizado dentro dele.

“Eu sabia que ele sabia de alguma forma. Como a gente ia contar isso até porque no ano que vem ele estaria na classe de crianças mais velhas onde a altura ia fazer diferença? E as crianças tinham este questionamento. Porque ele é menor? Surgiam questionamentos e a gente queria de uma maneira simples, lúdica e tranquila, conversar sobre isso naturalmente na sala. Então fomos pesquisar livros sobre o tema e só encontramos, por meio da mãe, um livro com a história de uma girafinha”, relembra a professora.

O livro, já abordado em publicações aqui do STG com listas de livros sobre Nanismo não foi considerado um bom instrumento para abordar o assunto por se tratar de uma criança muito pequena que poderia não encontrar identificação com a girafinha.

A professora conta que diante do desafio e da falta de alternativas para abordar o Nanismo com crianças tão pequenas, ela se inspirou no Matheus e sua imensa vontade de ser astronauta e criou o personagem Edu.

A Narrativa

“É um nome fictício, de um menino com Nanismo. Contamos um pouco da trajetória do Matheus na escola, como foi adaptada, tudo que foi feito para recebê-lo, para ele ser inserido no grupo com autonomia sem que a gente tivesse que fazer tudo por ele. Então: adaptação de bebedouro, de maçaneta de porta, banheiro, saboneteira… Isso tudo foi permitindo que ele tivesse uma condição bacana na escola”, explica Fabiana e finaliza: “Eu aprendi muito mais do que eu poderia ensinar qualquer coisa para ele”.

O livro também traz algumas outras diferenças. Aborda a Síndrome de Down, obesidade e até diversidade étnica, com um personagem de outro país. “Temos muito em escola, crianças que vêm de outros lugares e sofrem um pouco com diferenças culturais”, contextualiza.

O Nanismo é o foco da trama mas a obra pode ser trabalhada dentro das escolas pelo viés das diferenças por vários ângulos. “Falo muito no livro que o Edu é um menino como todos os outros e diferente como todos os outros. Nós somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. O importante é o respeito porque somos todos humanos, isso nos iguala. Diferentes, cada um com suas especificidades. A gente como educador pode utilizar o livro para abordar as diferenças, explorando cada uma delas de maneira sensível, lúdica, porque ser diferente é natural”, avalia Fabiana.

Ela relembra que durante a passagem do menino Matheus pelas suas aulas, durante o ano passado, algumas medidas inclusivas foram tomadas como convidar Rebeca Costa para uma palestra onde as crianças tiveram a oportunidade de conversar com uma adulta com Nanismo e conhecer sua rotina, saber que ela dirige, trabalha e tem uma vida normal.

Segundo a professora, o preconceito é mais um olhar do adulto ou da família que está mobilizada e sofrida com a condição porque entre eles. Em sua vivência, quanto menores as crianças, mais despidas de julgamentos e propensas à empatia elas são.

Não deixe de compartilhar e comparecer ao Congresso em Goiânia para obter seu exemplar. Estamos esperando vocês.

Rafaela Toledo

Comentários

2 respostas

  1. Quero comprar o livro para ler com meus netos, porque acho importante que crianças comuns conheçam a realidade e as necessidades de crianças com nanismo. Mas não vi indicações de onde comprar e não achei em nenhuma livraria online. Por outro lado, vou compartilhar a notícia no Facebook, mas é uma pena que não possa dar indicação de onde adquirir. Obrigada e sucesso.

    1. Olá Ione! Isso é porque o livro ainda está sendo comercializado apenas pelas mãos da autora, no Rio de Janeiro mas logo logo vai está disponível para vendas online e você vai poder encomendar de qualquer lugar do Brasil. Fique atenta às nossas notícias, se inscreva em nossa newsletter e não perca o alerta de quando as vendas começarem! 😉

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