Contra o bullying, Amor

No final do último mês de março, o episódio de bullying sofrido pelo menino Daniel Pereira de Assis,10, na Escola Municipal Coeli Ribas, na cidade de Pirapora (MG) comoveu todo o Brasil após viralizar nas redes sociais.

No vídeo, a criança aparece sendo cercada pelos outros alunos e provocado, não apenas com apelidos maldosos mas também por contatos físicos indesejados. O comportamento das outras crianças incomodou tanto Daniel – que além de nanismo, tem má-formação óssea nos membros superiores e inferiores – que para se livrar do inconveniente, a criança tenta se mover mais rapidamente e acaba caindo, ao descer a calçada.

Foto de Divulgação
Foto de Divulgação
Menino Daniel precisava da mãe para se locomover.

A cena causa dor a quem assiste, por isso optamos por não replicar a publicação neste post. As imagens foram amplamente divulgadas, inclusive pelas emissoras de televisão local. Diante do conhecimento e comoção pública, três dias após a exibição nos veículos de massa, em 06 de abril, a prefeitura de Pirapora publicou nota oficial de esclarecimento sobre a situação de Daniel.

Por meio dela, a Secretaria de Educação do Município alega que o fato era desconhecido pelo órgão responsável. Segundo a nota, Daniel, que está no quinto ano do ensino fundamental, é um aluno engajado em todas as atividades da unidade.

Ainda de acordo com a nota oficial, a Secretária Municipal de Educação, Mara Bianca Santos Lopes Cardoso, e o Responsável pelas Políticas Pedagógicas da SEMED, Rodrigo Barbosa, se reuniram no último dia 02 com a direção da escola e a equipe de apoio teve participação do Conselho Tutelar.

O órgão foi acionado pela SEMED para acompanhar as ações da escola no tratamento ao assunto, com alunos e seus responsáveis, e para que tomassem as medidas legais, uma vez que foram veiculadas imagens de crianças sem autorização dos responsáveis.

A SEMED também se reuniu com os pais de Daniel, para estimular seu retorno às aulas. Desde o acontecimento, o aluno abandonou as aulas.

Final Feliz

Foto de Divulgação
Foto de Divulgação
Daniel cercado pelos pais, Aparecida de Assis e Daniel de Assis Pereira

Quando a história de Daniel veio a público, Kenia Rio, presidente da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro, já tratou de se mobilizar. Ela divulgou amplamente o caso em suas redes sociais e não descansou enquanto não envolveu também as autoridades.

Senador Romário Faria se manifestou publicamente, além de orientar a ANAERJ à enviar ofício denunciando o bullying para a Comissão de Direitos Humanos na pessoa da Senadora Regina Souza.

Enquanto isso, a presidente da ANAERJ conseguiu unir esforços e doações para Daniel ganhar uma cadeira motorizada. Como o menino tem um tipo muito peculiar de nanismo, a Síndrome de Greber, seriam necessárias adaptações no veículo.

A empresa Adaequare Adaequare doou a cadeira e uma beneficiária anônima, ofereceu R$1.500 para a viagem da criança ao Rio de Janeiro, onde o veículo foi ajustado e testado pelo dono, ontem, 26.

Além de fazer a ponte entre Daniel e seus benfeitores, Kenia fez um encontro em sua casa para apresentar os novos amigos aos seus e reunir algumas doações para a criança. Quem o acompanhou ao Rio de Janeiro foi a vizinha, Zilene Pereira da Silva, 31, autora do compartilhamento do vídeo polêmico nas redes sociais.

“Eu tenho filhos nesta escola. Meu filho mais velho já sofreu bullying mas não é deficiente como Daniel. Não só meu filho mas muitas criança já sofreram bullying na escola e os pais não tinham como provar. O que mais me doeu é que eu acompanhei o Daniel desde bebezinho, cheguei a ver a situação e o vídeo já estava rolando por tudo quanto é canto, mas só entre amigos. Eu simplesmente compartilhei e levei adiante das redes sociais, para ajudar o Daniel porque até então eu sabia que a escola não iria tomar nenhuma providência”, conta Zilene.

“Não era a primeira criança. É difícil você ver uma situação dessas e ficar de braços cruzados”, finaliza.

Agora, ela e Daniel voltam felizes a Pirapora com um desfecho emocionante para uma história que poderia ter sido triste, devastadora, mas que foi transformadora e inspiradora, movida pela união das pessoas, dos corações e da ação de gente que se responsabiliza por tornar o mundo um lugar melhor.  

Rafaela Toledo

Comentários

2 respostas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais

A conexão de mãe que abraçou centenas de outras mães

Neste Dia das Mães, contamos histórias de mulheres que são fio condutor na luta por proteção e direitos dos filhos com nanismo “Não consigo me imaginar não sendo mãe. A gente se doa, se dedica pra vê-los se tornando homens maravilhosos”: Francielle Ferreira Ribeiro “Ser

A conexão de mãe que abraçou centenas de outras mães

Neste Dia das Mães, contamos histórias de mulheres que são fio condutor na luta por proteção e direitos dos filhos com nanismo “Não consigo me imaginar não sendo mãe. A gente se doa, se dedica pra vê-los se tornando homens maravilhosos”: Francielle Ferreira Ribeiro “Ser