Criando um mundo melhor a partir dos nossos filhos

Hoje é um dia comum, mas eu queria falar mesmo das coisas comuns e que têm sido negligenciadas nas nossas vidas, em especial na maternidade.

Algumas perguntas pra gente refletir juntos:
Como está a saúde emocional da sua família? Como seus filhos têm lidado com a pressão massacrante que têm vivido por performance e resultados? Vou me ater somente a essas duas, porque já renderiam um bom livro.

Estamos em velocidade frenética e por vezes, perdendo a sensibilidade. Mãe é colo, aconchego, lugar seguro, compreensão, suporte emocional. Conosco, nossos filhos aprenderão sobre cuidado, generosidade, equilíbrio, temperança. Essas virtudes estão claras na sua relação com seus filhos?

Vejo mães desesperadas com os desafios de criar filhos adolescentes e constato: perderam o timing! Não adianta querer conquistar a confiança, estabelecer vínculos, desenvolver uma comunicação bacana depois que seus filhos já estão adolescentes!

São sementes que plantamos desde a gravidez, passando por cada etapa da infância, pra desembocar no momento crucial da formação de um adulto.

Correr atrás do prejuízo daquilo que foi postergado lá atrás é querer transformar uma árvore em um bonsai. Cada minuto dedicado à maternidade consolida uma relação essencial que se fará fundamental no momento em que eles passarem pelas dores da transição da infância pra maturidade.

E quando falo em se dedicar à maternidade falo do pacote completo: impor limites, ser sempre verdadeira e confiável, ensinar virtudes e valores inegociáveis, dizer muitos nãos em amor, dar colo, ensinar sobre responsabilidade. As viagens, os presentes, as festas cinematográficas não cumprem esse papel!

Ser mãe é a “profissão” mais difícil e negligenciada por muitas mulheres modernas. Esquecemos o valor de criar seres humanos conscientes, virtuosos e respeitosos.

“Criar um mundo melhor”, começa antes em incutir nos nossos próprios filhos os valores necessários pra gente viver em uma sociedade mais fraterna. Se preocupar com questões ambientais, de desigualdade social, de inclusão e diversidade sem preparar aqueles que nos foram confiados para internalizarem essas agendas, é um esforço inútil, desconexo.

Só teremos sucesso quando entendermos que tudo é o todo! Quem transformará o mundo pra melhor ou pior são os nossos filhos! E como aprenderão se não temos sido as que os ensinam sobre amor incondicional?

O conhecimento está aí: abundante e disponível como nunca, mas a sabedoria é diferente. É saber usar as palavras, manter o equilíbrio, ter sensibilidade para perceber o que cada um da casa precisa, ser firme com amor, entregar a cada um na medida da necessidade dele, ser presença e uma marca que não se apaga do coração, que deixa um legado. Sem isso, não há esperança de uma humanidade mais evoluída.

O mundo está órfão de mães, muitas delas vivas…

Juliana Yamin é presidente do Instituto Nacional de Nanismo e mãe de três adolescentes

Juliana Yamin,
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